Publicado 01 de Julho de 2015 - 9h10

Por Agência Brasil

Em meio à crise gerado pelo calote do país, aposentados gregos tentam receber seu benefício

Angelos Tzortzinis/France Press

Em meio à crise gerado pelo calote do país, aposentados gregos tentam receber seu benefício

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pediu nesta quarta-feira (1) aos compatriotas que votem "Não" no referendo de domingo (5) para que o governo possa obter um "acordo melhor" com os credores, com os quais continuará negociando.

O "Não" na consulta será um "passo decisivo para um acordo melhor", afirmou Tsipras. O primeiro-ministro afirmou que deseja a todo custo manter o país na zona do euro e que o governo grego "permanece na mesa de negociação, e continuará até o fim".

Desrespeita as normas

O Conselho da Europa avaliou nesta quara que o referendo marcado para domingo (5) na Grécia desrespeita os padrões da instituição para consultas populares, especificamente por causa do curto prazo em que foi marcado. “É evidente que o prazo é curto para os nossos padrões”, disse o porta-voz da instituição Daniel Holtgen. Os padrões referidos, esclareceu, correspondem às recomendações da Comissão de Veneza, órgão jurídico do conselho.

Segundo Holtgen, "os eleitores devem saber quais são as perguntas com pelo menos duas semanas de antecedência, o que não foi o caso”. Outro ponto destacado é a necessidade de as questões colocadas no referendo “serem muito claras e compreensíveis”, o que o Conselho da Europa considera não ocorrer no caso da Grécia.

Antecipação

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, convocou com nove dias de antecedência – 24 de junho para o próximo domingo – um referendo para decidir sobre a proposta dos credores europeus.

O programa de assistência à Grécia expirou na terça-feira (30), dia em que Atenas deixou de pagar uma parcela da dívida com o Fundo Monetário Internacional. Ontem, o primeiro-ministro enviou novas propostas para a análise dos credores, que se reuniram no mesmo dia, e hoje retomam a avaliação dos documentos, via teleconferência.

O Conselho da Europa é uma instituição de defesa dos direitos humanos, com sede em Estrasburgo (França), e integra 47 Estados-membros, incluindo todos os da União Europeia.

Papa

O papa Francisco enviou uma mensagem de solidariedade ao povo grego, "duramente" afetado por uma crise humana e social "tão complexa como dura", anunciou o Vaticano. "O Santo Padre deseja que todo o povo grego sinta a sua proximidade, sobretudo as famílias duramente afetadas por uma crise humana e social tão complexa como dura", afirmou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O papa argentino, que viveu pessoalmente em 2001 a crise de seu país pela dívida externa, considerado o maior default soberano da história, pediu às autoridades da União Europeia e da Grécia que levem em consideração a "dignidade da pessoa", explicou Lombardi.

Centro do debate

"A dignidade da pessoa deve permanecer no centro de qualquer debate político e técnico, assim como a hora de tomar decisões responsáveis", pede o pontífice em sua mensagem.

A crise que a Grécia vive, com bancos fechados até a celebração de um referendo no dia 5 de julho, provoca incerteza em todo o mundo. Sem um acordo, a Grécia pode falir e sair do euro, um cenário desconhecido, de consequências imprevisíveis.

"As notícias procedentes da Grécia preocupam pela situação social e econômica do país", afirma o chefe a Igreja Católica, quem em sua recente encíclica "Laudato si' defendeu uma "revolução corajosa" para salvar o planeta. No texto ele acusa o sistema econômico e financeiro, sobretudo os bancos, de desprezo aos pobres.

"O Papa Francisco convida todos os fiéis a rezar pelo bem amado povo grego", completa a nota.

O calote

Terminou nesta terça-feira (30), às 19h (hora de Brasília) o prazo para a Grécia pagar cerca de 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem ter quitado a parcela do resgate financeiro, o país entrou oficialmente em calote com os credores internacionais.

Com o calote, a Grécia deixará de ter acesso aos empréstimos do FMI e perde o direito de voto no fundo. O não pagamento da dívida pode fazer o país sair da zona do euro, grupo de países que adotam a moeda única.

Parcelamento

Mais cedo, o país tinha pedido ao FMI para adiar o pagamento das parcelas por quatro meses. O governo grego recorreu a um mecanismo usado na década de 1990 pela Nicarágua e pela Guiana, que permite que países beneficiados por linhas de socorro do fundo adiem o pagamento de três a cinco anos, tempo de duração dos empréstimos.

Em nota, o FMI confirmou o não recebimento da parcela e informou que o pedido da Grécia para estender o prazo de pagamento ainda será avaliado. “Informamos nosso Comitê Executivo de que a Grécia está agora em atraso e que só pode receber financiamentos do FMI uma vez que as pendências estejam sanadas. Também confirmamos que o FMI recebeu um pedido das autoridades gregas por uma extensão da obrigação de pagamento que vencia hoje, que ainda irá para discussão do Comitê Executivo”.

Pedido recusado

Nesta terça, os ministros de Finanças da zona do euro recusaram o pedido do governo grego de estender o programa de resgate financeiro. Sem acesso às linhas especiais de crédito, a Grécia não teve dinheiro para pagar a parcela devida ao FMI.

Gastos públicos elevados e descontrole das contas, entre outros motivos, levaram a Grécia à atual situação. Em assistência financeira desde 2010, o país recebeu dois empréstimos dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional totalizando 240 bilhões de euros. Em troca, o governo grego comprometeu-se a cumprir duras medidas de austeridade.

Os aumentos de impostos, a redução de benefícios sociais e o corte de gastos públicos puseram a população em um grande aperto financeiro. No início do ano, Alexis Tsipras, líder da legenda radical de esquerda Syriza, venceu as eleições prometendo renegociar a dívida com os credores internacionais e rever a política de austeridade.

*Com informações da Agência Lusa

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