Publicado 14 de Julho de 2015 - 19h47

Por Inaê Miranda

Estação de Jaguariúna: hipótese é de que acidente tenha sido provocado por vandalismo, já que foram encontradas pedras ao longo dos trilhos

Elcio Alves

Estação de Jaguariúna: hipótese é de que acidente tenha sido provocado por vandalismo, já que foram encontradas pedras ao longo dos trilhos

A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) vai instalar travas de segurança nos oito pontos de mudança de via da maria-fumaça, entre Campinas e Jaguariúna. A medida está sendo providenciada após o acidente no último sábado, quando um vagão saiu dos trilhos.

A locomotiva estava sem passageiros no momento do descarrilamento, apenas com o maquinista, e ninguém ficou ferido.

A associação que mantém a maria-fumaça trabalha com a hipótese de que o acidente tenha sido provocado por vandalismo, já que foram encontradas pedras no trecho onde o vagão descarrilou. O laudo definitivo deve ficar pronto em até 20 dias, segundo a direção da associação.

O acidente ocorreu a poucos metros da estação de Jaguariúna. A locomotiva vinha de Campinas e ao chegar no aparelho de mudança de via — no ponto em que trilho muda de direção para se aproximar do local de embarque — o vagão descarrilou. Ontem, o trecho passou por obras. Durante a perícia, foram localizadas pedras, segundo afirmou o diretor da ABPF, Hélio Gazetta Filho.

“Hoje, estamos reformando o aparelho de mudança de via, onde ocorreu o descarrilamento. Desmontamos ele todo, alinhamos, trocamos os parafusos”, disse.

A expectativa é de que um laudo conclusivo indicando as causas do acidente saia em até 20 dias. Mas a associação trabalha com as suspeitas de “sabotagem” ou de defeito no aparelho de mudança de via.

“Quando desmontamos, encontramos pedras esmagadas nos trilhos. No entorno não tem pedras e elas não foram parar lá sozinhas”, afirmou. Para evitar atos de vandalismo e tornar os oito pontos dos aparelhos de mudança de via seguros, serão instalados cadeados.

“Por segurança, vamos fazer uma trava. Um ‘sargento’ com cadeado para evitar que acidentes como este ocorram novamente. Vamos colocar em toda a via. Já encontramos uma empresa que faz esse trabalho e estamos providenciando”, afirmou.

A ABPF tem concessão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para operar a maria-fumaça, que faz vistorias de segurança anualmente. A última inspeção foi realizada em dezembro, segundo informou a Associação.

“Os técnicos vêm e fazem a inspeção completa, do trilho, do material rodante, das instalações”, explicou.

Em alguns pontos do percurso, entre Campinas e Jaguariúna, entretanto, ainda é possível notar dormentes de madeira em mau estado de conservação e mato alto.

Gazetta afirmou que algumas medidas vem sendo adotadas para tornar o passeio mais seguro e confortável e que são investidos R$ 100 mil ao mês na manutenção da maria-fumaça.

Desde 2007, segundo ele, os dormentes de madeira estão sendo substituídos por concreto ao longo da extensão da linha, de 23 quilômetros. Cerca de 60% do material já foi substituído.

“Temos 18 mil dormentes de concreto aplicados de um total de 32 mil. Estamos fazendo em média a substituição de 500 dormentes ao mês. Até tem dormente podre, mas, por segurança, colocamos dormentes de concreto próximo. A gente espera em mais dois anos concluir esse trabalho. É a ANTT que prioriza os lugares de substituição e estabelece metas anuais pra gente cumprir”, explicou.

Segundo Gazetta, a Associação recebeu do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) 75 toneladas de parafusos novos e molas de fixação que prendem os dormentes no trilho, que já estão sendo aplicados.

“A ABPF é sem fins lucrativos. Mas estamos investindo na maria-fumaça. Estamos reformando a estação, providenciando a troca do telhado e sanitários novos. A Estação do Tanquinho foi inteira reformada e, em agosto, nós vamos pintar. Estamos com dois engenheiros fazendo testes e ultrassom nas quatro locomotivas para saber se está tudo em ordem”, disse.

Em relação ao mato, Gazetta disse que a cada seis meses é feita a capina química e que a última foi realizada em abril.

Uma das referências de Campinas e da Região Metropolitana e uma das opções de lazer, a viagem de maria-fumaça continua segura, segundo garantiu Gazetta. “Há 31 anos nós estamos em operação e as pessoas podem viajar tranquilas”, completou.

Passeio é opção de lazer muito procurada

A maria-fumaça é mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). O passeio é um dos principais roteiros de turismo na região. Sai de Campinas, na Estação Anhumas, e vai até Jaguariúna.

O valor do ingresso do percurso completo é de R$ 90, inteira, e R$45 meia-entrada. O ingresso do meio percurso, até a estação de Tanquinho, custa R$ 70, inteira, e R$ 35 a meia entrada. 

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Inaê Miranda