Publicado 13 de Julho de 2015 - 7h00

Avenida Orosimbo Maia e Córrego Serafim - Criação de parque linear com recuperação do córrego e implantação de ciclovia

Cedoc/RAC

Avenida Orosimbo Maia e Córrego Serafim - Criação de parque linear com recuperação do córrego e implantação de ciclovia

Como é a Campinas que você quer? Foi com o objetivo de responder a essa pergunta que foi criado o aplicativo Participa Campinas!, com o sistema Leitura da Cidade. A ideia é coletar sugestões para espaços públicos que tenham relação afetiva com a população. Desenvolvido pela Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente (Fupam) da Universidade de São Paulo (USP), o sistema foi disponibilizado pela Prefeitura para celulares e tablets em novembro do ano passado e já tem contribuições importantes que poderão ser incluídas no novo Plano Diretor.

O secretário de Planejamento, Fernando Pupo, informou que o novo plano vai reordenar o município para concentrar o adensamento construtivo e populacional ao longo dos eixos de transportes de massa e tornar a cidade mais compacta. O mesmo conceito se reflete nas sugestões da população, que pede mais calçadões na região central, estacionamentos nas margens das principais ruas do Centro interligados com o transporte público, para que consumidores não precisem utilizar carros nas vias mais movimentadas, e implantação em locais como Avenida Orosimbo Maia e Piçarrão.

No aplicativo, disponível nos sistemas Android e IOS, as pessoas podem mandar fotos identificadas por GPS, endereço ou ponto de referência de áreas que tenham potencialidade para se tornarem bons exemplos de urbanização em Campinas. A ideia é que as equipes que trabalham na revisão do plano façam propostas mais próximas da realidade que a população deseja.

Uma análise preliminar das fotografias e sugestões feita pela Secretaria de Planejamento revelou uma preocupação importante dos participantes em relação ao espaço público. Foram apontadas sugestões como a ampliação da área do pedestre a partir da criação de novos calçadões e passeios mais generosos e a recuperação de áreas verdes urbanas subutilizadas, como o Bosque dos Alemães e dos Italianos.

Também foram citadas a necessidade de ampliação da cobertura verde, com a criação de novos bosques e praças, a readequação da área da antiga Ferrovia Paulista (Fepasa) para transformá-la em centro cultural e a requalificação de espaços públicos associados a bens tombados, caso do Jockey Club, para que sejam mais agradáveis e atraiam maior número de frequentadores.

Debate

Pupo afirmou que o canal para sugestões da população não foi aberto apenas por conta da exigência legal para o Plano Direitor: o secretário disse que a participação da comunidade é um dos aspectos mais importante da nova legislação, que deverá passar ainda por uma série de debates. “Queremos que a população se manifeste para que possamos ter uma leitura real do que o cidadão quer”, disse.

As sugestões que não forem aproveitadas na íntegra no Plano Diretor poderão ser absorvidas também pela nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, prevista para outubro, ou em outras legislações urbanísticas da cidade, segundo Pupo. Ele afirmou ainda que nenhuma proposta ficará sem resposta da Administração, ainda que o que foi sugerido seja inviável. Até o final de julho, a Secretaria de Planejamento tem programadas duas reuniões semanais para fazer a leitura das contribuições, para depois fazer a análise qualitativa das propostas e o diagnóstico técnico. Depois, a Prefeitura volta a apresentar para a cidade as propostas escolhidas.

Pupo disse que a intenção da secretaria é enviar a proposta do Plano Diretor à Câmara até o final deste ano, para que em 2016 os parlamentares possam promover os debates e audiências públicas. “A intenção é que a população tenha tempo para conhecer e discutir o plano. Até porque 2016 é ano eleitoral, portanto, depois do meio do ano, as atenções dos vereadores estarão voltadas às eleições. Não queremos fazer nada às pressas”, disse Pupo.