Publicado 12 de Julho de 2015 - 7h00

Por Bruno Bacchetti

Granjas não sentiram efeitos da estiagem, pois usam pouca água para a criação; milho é comprado de regiões menos afetadas por seca

César Rodrigues/ AAN

Granjas não sentiram efeitos da estiagem, pois usam pouca água para a criação; milho é comprado de regiões menos afetadas por seca

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A produção de frango não foi afetada pela seca e forte calor que atingiram todo a região Sudeste no ano passado. A criação de frango utiliza pequena quantidade de água, necessária somente para hidratação do frango. Além disso, a demanda elevada manteve a criação de frango em alta e o tipo da produção consegue administrar momentos de baixa procura com maior facilidade do que produtor de uma lavoura.

“O frango é um produto com característica específica de produção e tem consumo alto. A RMC tem mais de três milhões de habitantes, praticamente a população de um país como o Uruguai. O produtor que tem o galpão tem a estrutura montada, se ficar ruim é só diminuir e segurar”, afirma o diretor do Escritório de Desenvolvimento Rural da Cati em Campinas, José Augusto Maiorano. “É um produto de alto valor agregado e que movimenta a economia”, completa.

Presidente da Associação Paulista de Avicultora (APA) e diretor da Cooperativa Pecuária Holambra, Érico Pozzer ressalta a importância da região de Campinas na avicultura paulista — detém um terço do total de frangos produzido pelo Estado de São Paulo. Ele diz que a queda no valor da produção em 2014 aconteceu porque no ano anterior a avicultura atingiu valores recordes. “A seca não afeta a produção do frango, porque usa pouca água e o milho buscamos em outra região. O preço não está muito bom, a margem está apertada. O ano de 2014 foi bom, mas 2013 foi ótimo e tivemos os preços mais altos em sete ou oito anos”, explica Pozzer. De acordo com o presidente da APA, a margem de lucro neste ano está pior que o ano passado, mas a tendência para o segundo semestre é de melhora. “Esse ano está complicado, não tem redução no volume da produção, mas da margem. Mas está melhorando e devemos fechar o ano em alta”, projeta.

A família Bassi cria frango há mais de 40 anos num sítio de nove hectares na divisa entre Holambra e Artur Nogueira. O avicultor Francisco Bassi herdou o sítio de nove hectares do pai e já começou a passar o ofício aos dois filhos, Edson e Fábio. O modelo de criação é o clássico integração, no qual a cooperativa fornece a ração e os pintinhos, e, em contrapartida, os criadores entram com mão de obra, equipamentos e galpões. O lote tem que estar pronto para o abate em 60 dias. São quatro galpões que produzem cerca de 72 mil frangos por lote (totalizando 432 mil por ano) e a família não tem do que reclamar do mercado de frango. A demanda elevada — principalmente por causa do aumento do preço da carne bovina — garante o consumo e o retorno certo. A seca do ano passado não chegou a afetar a criação. “O frango é o único produto da região que está dando para tocar, laranja e cana estão difíceis. A água é muito importante para a gente, tenho que ter um poço e se faltar complica. Mas no ano passado não atrapalhou, somente se ficar dois ou três anos sem chuvas no Verão é que complica”, explica Edson Bassi.

Segundo o criador, um dos principais responsáveis pela redução da margem de lucro neste ano foi o aumento no preço da energia elétrica. A conta de luz é uma das principais despesas dos criadores de frango, uma vez que os galpões necessitam de ventilação e iluminação constante. “A margem caiu neste ano por causa da energia elétrica. A despesa com energia representa de 30% a 40% do custo e teve aumento de 55% para a gente”, lamenta.

Apesar disso, a confiança no mercado avicultor é tamanho que a família já pensa em expandir a criação e atingir a marca de 100 mil frangos por lote. “Estamos planejando construir um novo galpão e acho que em até dois anos estará pronto. Vamos vender uma outra propriedade para não precisa financiar”, conta.

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