Publicado 12 de Julho de 2015 - 7h00

Por Eric Rocha

O investimento total da obra é de R$ 6,85 bilhões, composto por financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), repasses do governo federal e receitas próprias

Divulgação

O investimento total da obra é de R$ 6,85 bilhões, composto por financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), repasses do governo federal e receitas próprias

A viagem do campineiro rumo ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, deve ficar ao menos 40 minutos mais rápida com a inauguração do Trecho Norte do Rodoanel. No entanto, para usar esse benefício ainda vai ser preciso esperar. O último trecho da obra a ser construído pelo governo do Estado só deve ficar pronto daqui a dois anos.

Os dados são da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa estadual responsável pela construção. As obras de extensão da rodovia começaram em março de 2013 e o empreendimento tem 42% das obras concluídas até agora. No último dia 26 de junho, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) entregou o último segmento do Trecho Leste, entre a rodovias Presidente Dutra e a Ayrton Senna.

O Trecho Norte deve facilitar a vida de quem hoje precisa entrar em São Paulo e enfrentar o trânsito pesado da Capital paulista para depois conseguir acessar o maior terminal aeroportuário do País. De acordo com a Dersa, hoje os usuários gastam em média uma hora e 45 minutos para chegar ao aeroporto, a partir do Km 88 da Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas. Com a entrega do novo trecho do Rodoanel, o tempo cairia para uma hora e cinco minutos. A cálculo foi feito com base nas velocidades médias nas rodovias Bandeirantes (100km/h), Ayrton Senna e Hélio Smidt (80km/h), Marginal Tietê (25km/h) e Rodoanel Norte (90km/h). O projeto do novo trecho prevê uma ligação direta de 3,6 quilômetros para Cumbica.

“A Marginal Tietê é uma via saturada. Em uma parcela significativa do dia, ela circula a uma velocidade média muito abaixo do permitido e isso também impacta na Rodovia dos Bandeirantes. Com o Rodoanel Norte, vamos poder evitar esses trechos”, explicou o diretor-presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço. O investimento total da obra é de R$ 6,85 bilhões, composto por um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por repasses do governo federal e receitas próprias de São Paulo.

Apesar do momento de ajuste econômico, Lourenço disse que o prazo de entrega está mantido e não há a previsão de dificuldades financeiras para terminar as intervenções. “O financiamento está garantido e até agora não houve atrasos de pagamento. Não temos previsão de passar por esse tipo de dificuldade.”

Quem faz a viagem de Campinas para o aeroporto de ônibus gasta hoje de uma hora e meia a duas horas para completar o trajeto, dependendo do horário e das condições do trânsito em São Paulo. A cada quatro dias, a comissária de bordo em voos internacionais Priscila Pereira precisa percorrer esse caminho. “Seria interessante se durasse menos tempo. Geralmente, eu tenho que ir cinco horas antes da minha apresentação para poder contar com o trânsito e não chegar atrasada”, disse. O motorista Marco Antônio Araújo é um dos responsáveis pela condução dos passageiros de 13 viagens diárias para o terminal, oferecidas pela empresa para a qual trabalha. Ele contou que o tempo de viagem começa a aumentar durante a semana já a partir das 16h30. “Se formos orientados a fazer esse trajeto, vai ser muito bom porque evita pegar o miolo de São Paulo, que é complicado.” Abordada minutos antes de subir no ônibus que seguiria para Guarulhos, a bancária Osmarina Moraes disse preferir esperar as obras terminarem.

Na cabeça, só a viagem para visitar a filha, que faz intercâmbio em Paris, na França. “Vai ficar muito melhor quando isso acontecer de verdade.”

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Eric Rocha