Publicado 12 de Julho de 2015 - 7h00

Por Gustavo Abdel

Oliveira com sua coleção de miniaturas de viaturas em local onde acompanha as ocorrências por rádio

Carlos Sousa Ramos / AAN

Oliveira com sua coleção de miniaturas de viaturas em local onde acompanha as ocorrências por rádio

Guardadas com muito cuidado dentro de um armário no segundo andar de um sobrado simples, no bairro Morada do Sol, estão 15 pastas que contam a história da Guarda Civil Municipal (GCM) de Indaiatuba. São mais de 3 mil fotos reveladas e 10 mil aguardando revelação, inúmeros relatos de ocorrências escritos à mão, além de outras 40 pastas com recortes de jornais noticiando, desde o final da década de 1980 até os dias de hoje, milhares de apreensões, operações, prisões e fatos marcantes que ocorreram na corporação, que completará 32 anos em outubro. Não se trata de um arquivo público, museu ou algo do tipo, mas sim da casa de Reginaldo Rodrigues de Oliveira, de 39 anos, o guardião da história e aficionado pela corporação.

Há mais de 20 anos, Oliveira acompanha diariamente o trabalho da Guarda da cidade, e a confiança dos profissionais da corporação é tamanha que se tornou uma espécie de divulgador extraoficial das ações dos profissionais de segurança. Instalado no quarto-QG, o rádio a todo momento lhe passa a movimentação dos homens da Guarda que estão espalhados pela cidade.

Munido de uma câmera fotográfica e de vídeo, embarca no seu veículo particular e parte para o registro de mais um flagrante, assim que escuta a ocorrência que “cai” na frequência da rádio dos guardas. Nas ruas, é conhecido pelo codinome Comando Uno.

“Há uma confiança no meu trabalho. Estou aqui para divulgar e valorizar o trabalho. Primeiro tive que fazer uma união com os guardas, para depois entrar em ação”, explica sobre o fato de tanta autonomia, até mesmo em funções atribuídas às autoridades. Trabalhador de uma empresa na cidade durante a noite — em função que ele não quis revelar —, Oliveira dedica voluntariamente todas as manhãs aos trabalhos da Guarda. “Pela manhã, leio os jornais da região, os sites e fico atento aos chamados.” Já os detalhes da ocorrência ficam gravados na memória do vigilante, que mais tarde os transforma em notícia, que é veiculada na página do seu próprio Facebook, exclusivamente dedicado aos fatos policiais diários. “Penso em continuar trabalhando com notícia e expandir para um site”, planeja.

Por falar em notícias, Oliveira conta que no início dos anos 1990 era fissurado pelas reportagens veiculadas no extinto programa policial de sucesso Aqui Agora, principalmente pelo experiente repórter Tony Castro. “Na escola, eu e alguns colegas fazíamos um jornal com notícias de polícia. Estava com uns 15 anos e já registrava e acompanhava a Guarda com uma câmera fotográfica analógica”, conta.

Fatos antigos da corporação são lembrados por Oliveira com riquezas de detalhes, como por exemplo do roubo a um supermercado em 1988, quando três assaltantes mataram um policial militar e deixaram um guarda municipal gravemente ferido em uma troca de tiros.

“Guardo detalhes na memória de praticamente todas as ocorrências que estão nessas pastas”, garante. Essa relação estreita com a Guarda já fez com que muitos conhecidos, quando se vêem em situações de risco, liguem para Oliveira solicitando apoio.

Enquanto dava entrevista, uma ocorrência caiu na rede e lá foi Oliveira conferir a recuperação de uma veículo furtado, que teve os pneus originais repassados a outros assaltantes. “São de quatro a cinco ocorrências que acompanho por dia”, disse. A ação voluntária e a dedicação que empreende em sua rotina já rendeu elogios até mesmo da Secretaria de Defesa e Cidadania de Indaiatuba.

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Gustavo Abdel