Publicado 10 de Julho de 2015 - 21h41

Por Agência Anhanguera de Notícias

Este ano, 71.387 candidatos fizeram a prova da primeira fase, realizada em 22 de novembro

Adriano Rosa/Especial para AAN

Este ano, 71.387 candidatos fizeram a prova da primeira fase, realizada em 22 de novembro

Em meio a uma crise financeira, agravada pela queda nos repasses do governo, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem entre seus funcionários pelo menos 800 servidores com salário bruto superior ao do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cuja remuneração é de R$ 21.631,05.

Entre os que recebem acima do teto está o reitor José Tadeu Jorge, além de procuradores, docentes e servidores técnico-administrativos. Os salários dos servidores da universidade foram divulgados após a Ouvidoria-Geral do Estado de São Paulo encaminhar, no final do mês passado, recomendação para que a Unicamp torne público os vencimentos.

A universidade perdeu ação na Justiça em que era solicitada a divulgação da remuneração dos funcionários, mas ainda não foi intimada e se adiantou à decisão. A Unicamp tem 14.315 funcionários, entre ativos e inativos.

Em junho, o reitor Tadeu Jorge recebeu dois salários (como professor e reitor): um de R$ 25.635,84 e outro de R$ 11.081,55, totalizando rendimento de R$ 36.717,39 mensal. O salário mais alto chega a R$ 65.287,63 (veja a lista completa).

No ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) determinou que todos os salários com valor acima ao do governador fossem congelados. A Unicamp seguiu a recomendação.

No entanto, uma liminar obtida pela Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) no ano passado impediu a universidade de reduzir os salários para atingir o teto estipulado pela Constituição.

O reitor José Tadeu Jorge disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que a universidade já considerava há algum tempo divulgar os salários dos servidores e afirmou que não pretende buscar na Justiça uma solução para adequar os vencimentos ao teto estadual.

Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Diego Machado de Assis avalia como positiva a divulgação dos salários dos funcionários da universidade e diz que os valores exorbitantes recebidos por alguns servidores não surpreendem.

“A divulgação foi extremamente positiva, é preciso ter transparência nas contas do serviço público, principalmente, nesse momento de contingenciamento. Desde 2006, o TCE já vinha falando que havia salários acima do teto e, de lá para cá, alguns até subiram”, afirmou. Para ele, a Unicamp deveria se adequar o mais breve possível ao limite salarial. “Ninguém tem que ganhar acima do teto e tem que ser cumprida a lei".

Repasse em baixa

Até este ano, a Unicamp recebia cota fixa de 9,57% da arrecadação paulista do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Porém, o repasse pode ser inferior a partir do ano que vem por causa de um projeto do governador Alckmin que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo a proposta, o índice será no máximo o mesmo. A Unicamp prevê déficit de R$ 82,8 milhões este ano, 135,9% superior ao saldo negativo do ano passado, quando o déficit foi de R$ 35,1 milhões.

O gasto com a folha de pagamento é de 92,9% do repasse e o objetivo é chegar a 85% em dez anos.

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