Publicado 07 de Julho de 2015 - 20h17

Por Gustavo Abdel

Polícia continua investigação sobre desaparecimento de psicóloga grávida durante enxurrada em Campinas

Cedoc/RAC

Polícia continua investigação sobre desaparecimento de psicóloga grávida durante enxurrada em Campinas

Quase quatro meses se passaram e nenhuma pista da psicóloga Érika Rodrigues, de 38 anos, desaparecida desde o dia 16 de março, depois que seu carro caiu no Córrego Piçarrão, no Jardim Miranda, em Campinas, durante uma forte tempestade. À época, ela estava grávida de três meses.

A Polícia Civil informa que não tem outra linha de investigação a não ser que evidências apareçam e que ainda espera a análise da perícia feita no carro. Enquanto isso, resta a dor e sofrimento diário da família da psicóloga, que morava em Sumaré.

A primeira hipótese investigada pela polícia é de que Érika tenha tentado atravessar a enxurrada na Avenida Doutor Carlos de Campos, ao lado do Curtume. Naquele ponto há transbordamento e a ponte sobre o córrego fica encoberta pela água. Érika pode ter tentado atravessar e seu Ford Ka preto ter sido puxado para dentro do córrego.

A bolsa e demais documentos que estavam no veículo não foram encontrados até agora. Homens do Corpo de Bombeiro de Campinas e Piracicaba realizaram buscas em dezenas de quilômetros por mais de um mês. Ela carregava uma bolsa cor laranja grande e dentro estavam a carteira com documentos, o cartão de pré-natal e outros utensílios femininos.

O delegado-titular do Setor de Homicídio e Proteção a Pessoa (SHPP) de Campinas, Rui Pegolo, disse que todas as possíveis provas foram analisadas. “Ouvimos as testemunhas (familiares) e as ligações daquela data não indicaram nada. Ainda não há evidências sobre o paradeiro de Érika”, afirmou o delegado.

No dia 16 de março, Érika atrasou alguns minutos para sair da empresa de empilhadeiras onde trabalhava, no Jardim do Lago, e ligou para o marido, William de Barros, de 35 anos dizendo que estava atrasada por causa do temporal. Depois, ligou novamente para o analista contábil informando que estava parada em frente a uma escola, no bairro São Bernardo, aguardando a chuva diminuir a intensidade. Depois dessa ligação não houve mais contatos.

De acordo com a perícia, as ligações feitas à Érika durante toda aquela segunda-feira foram da mãe da psicóloga, Aparecida Vicentini Ferreira Rodrigues, da irmã e mãe de Willian, da operadora de telefonia móvel e do próprio marido, que tentou mais de 50 vezes falar com Érika após as 18h50.

A falta de pistas, vestígios e testemunhas que possam ter visto o carro de Érika caindo no córrego não acalma o coração de Aparecida Vicentini. “Na segunda-feira foi meu aniversário. Recebi muito carinho de amigos e parentes, mas foi um dos momentos mais tristes da minha vida”, disse a mãe de Érika, que completou 63 anos. A falta de uma explicação sobre por que nada foi encontrado até hoje ronda as todas as noites os pensamentos de Aparecida. “Não tem uma explicação e isso gera uma incerteza 24 horas por dia. Meu filho ficou em depressão. Eu tomo calmante, pois quando vou dormir meus pensamentos ficam nela. Estou à espera de um milagre, mas tenho esperança que ela voltará com vida. Meu coração de mãe espera assim”, disse.

O marido de Érika também recebe tratamento psicológico e tenta encarar a rotina de trabalho. “As investigações continuam em cima da perícia do carro, mas disseram que ainda não têm informações. Espero que não encerrem as investigações”, disse. Willian ficou um mês afastado do trabalho. “A dor é muito grande”, afirmou.

De acordo com a polícia, a perícia do veículo, que inclusive já foi leiloado, ainda não chegou nas mãos do delegado Rui Pegolo. Há uma expectativa, principalmente para os familiares, de que a posição em que o banco do Ford Ka foi encontrado possa ajudar nas investigações, já que estava posicionado para uma pessoa maior que Érika. A polícia, entretanto, disse que precisa do laudo para se posicionar.

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Gustavo Abdel