Publicado 03 de Julho de 2015 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Alckmin disse que assim que obtiver o uso da faixa de domínio por onde circulam os trens de carga, irá lançar o edital da PPP para que o trem

César Rodrigues/ AAN

Alckmin disse que assim que obtiver o uso da faixa de domínio por onde circulam os trens de carga, irá lançar o edital da PPP para que o trem

A implantação do trem intercidades, que irá ligar as regiões metropolitanas de Campinas, Vale do Paraíba, São Paulo e Santos, está na dependência da liberação, pelo governo federal, das faixas de domínio da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), informou na quinta-feira (2) em Campinas o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo ele, o pedido foi feito no ano passado e reiterado na quarta-feira ao Ministério dos Transportes.

“Sem ter essa autorização, não temos como enviar o projeto ao comitê gestor das parcerias público-privada (PPPs) nem como dar seguimento ao projeto”, afirmou. O investimento estimado é de R$ 20 bilhões.

Alckmin disse, durante entrega de equipamentos ao Corpo de Bombeiros, que assim que obtiver o uso da faixa de domínio por onde circulam os trens de carga, irá lançar o edital da PPP para que o trem, com velocidade média de 120 km/h, possa ligar as quatro regiões. A obra será iniciada no trecho que liga Americana a São Paulo.

Segundo o governador, na faixa de domínio cabem cinco linhas — há duas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que vai até Jundiaí; há o trem de cargas e ainda há espaço para o trem de média velocidade.

Alckmin propôs a assinatura de convênio entre a União e o governo do Estado, envolvendo a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para regular o uso de faixas de domínio de ferrovias federais.

Com isso será possível ao Estado avançar no desenvolvimento do projeto de ligar a macrometrópole paulista por trem.

Trajeto

O projeto prevê 431 quilômetros de ferrovia que ligarão Americana a Santos, Taubaté a Sorocaba e que se cruzarão em São Paulo. O trem sairá de Americana, passará por Santa Bárbara, Sumaré, Hortolândia, Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí e chegará à Capital.

O custo previsto para interligar a macrometrópole, formada pelas quatro regiões metropolitanas, é estimado em R$ 20 bilhões, sendo R$ 4 bilhões de recursos públicos.

Na eventualidade de o empreendimento atrair o setor privado, todos os estudos e projetos do trem regional entrarão como contrapartida do governo no intercidades. O Estado prevê licitar o projeto ainda nesse semestre.

As regiões metropolitanas de Campinas, São Paulo, Santos, São José dos Campos e Sorocaba respondem por 53% da frota estadual de veículos e 63% de toda a população do Estado de São Paulo. Essas regiões possuem fluxo contínuo entre elas, principalmente entre a região de São Paulo e demais.

No cronograma inicial do governo do Estado, a previsão era iniciar em 2014, o trecho de 90 quilômetros ligando a Campinas, cuja construção estava prevista para iniciar em 2015, e na sequência mais 25,4 quilômetros ligando o ABC, para que começasse a operar em 2018. As outras ligações começariam na sequência, até a conclusão final em 2020.

Em função dos traçados conectando Campinas e São José dos Campos à Região Metropolitana de São Paulo estarem próximos dos Aeroportos de Viracopos e Guarulhos respectivamente, e por agregarem uma demanda potencial ao sistema como um todo, deverá ser avaliada a implantação de estações dos trens regionais nesses dois aeroportos.

Escrito por:

Maria Teresa Costa