Publicado 02 de Julho de 2015 - 5h00

Por Bruno Bacchetti

O IDHM é formado pela média geométrica de três outros índices: renda, educação e longevidade, com pesos iguais, e vai de 0 a 1

Dominique Torquato/ AAN

O IDHM é formado pela média geométrica de três outros índices: renda, educação e longevidade, com pesos iguais, e vai de 0 a 1

O Atlas de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Campinas, apresentado na tarde desta quarta-feira (1º), na sede do Ciesp, evidenciou um abismo social e econômico entre diferentes regiões da cidade de Campinas.

Áreas como Alphaville, Gramado e Barão do Café possuem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) equivalentes a países de primeiro mundo e superam inclusive o maior IDH Global, o da Noruega.

Em contrapartida, outras áreas apresentam índices extremante baixos e semelhantes a localidades remotas, como Vietnã e Cabo Verde. Entre os bairros de piores resultados estão Jardim Pauliceia, Satélite Íris e Oziel/Monte Cristo.

Baseado em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo dividiu o município em 187 áreas, chamadas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH).

O levantamento foi realizado pelo Programa das Nações Unidas (PNUD) em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação José Pinheiro, com apoio da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

O IDHM é formado pela média geométrica de três outros índices: renda, educação e longevidade, com pesos iguais, e vai de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, pior o desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, melhor.

Oito áreas têm o maior índice de Campinas (0,954), considerado “muito alto”: Alphaville, Gramado, Barão do Café, Condomínio Plaza Towers, Estância Paraíso, Parque Prado, Paineiras e Vila Verde.

Embora a metodologia do IDH Global seja calculado com outros critérios, o índice dessas regiões supera o de países como Noruega (0,944), Suíça (0,933) e Austrália (0,917), os três maiores IDHs do mundo.

Por outro lado, 12 áreas estão empatadas com os piores índices de Campinas (0,636), com IDHM comparável a países como Guiana, Vietnã, Cabo Verde e Micronésia. Entre essas regiões estão Oziel/Monte Cristo, Satélite Íris, Jardim Pauliceia e Jardim Sebastião.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas, Fernando Pupo Vaz, os dados dão um panorama completo das carências e necessidades de cada região, facilitando as estratégicas e políticas públicas. Ele confessa a necessidade de dar atenção maior às regiões de menor índice.

“O Atlas nos permite ter conhecimento geral e específico, e na medida que tem esse conhecimento a Administração já trabalha com isso. Temos que olhar para o conjunto do município, mas dar uma atenção maior para os piores IDHM”, afirmou.

“Mas é óbvio que não vamos deixar de lado o Alphaville, por exemplo, mas focar nas regiões mais vulneráveis”, frisou.

Indicadores

Os indicadores divulgados na quarta mostram os dois mundos existentes dentro de Campinas. A renda per capita de regiões como Alphaville, Gramado e Barão do Café é de R$ 4.536,72, mais de dez vezes superior à das regiões de menor IDHM, como Conjunto Habitacional Olímpia, Pauliceia e Residencial Chico Amaral, onde a renda per capita é de apenas R$ 422,38.

As desigualdades se refletem também na educação. Mais de 70% dos moradores acima de 25 anos de Alphaville, Alto da Nova Campinas e Jardim Botânico têm curso superior, enquanto no Jardim Sapucaí, Residencial Gênesis e Vila Esperança, o índice de moradores que cursaram faculdade não chega a 0,74% do total de habitantes.

Nesses locais, o percentual de pessoas consideradas pobres (renda domiciliar per capita igual ou abaixo de R$ 140,00 mensais) é de mais de 12% do total de moradores.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, ressaltou o elevado potencial econômico da cidade como um todo. Segundo ele, apesar de algumas regiões apresentarem indicadores de renda e pobreza ruins, a cidade de maneira geral se destaca no quesito renda e as preocupações maiores são em outros setores.

“Em Campinas o problema maior é de urbanização, algumas ocupações desordenadas, necessidade de saneamento, segurança e infraestrutura urbana, rua, iluminação e melhoria da qualidade da habitação.”

Educação eleva índices da RMC e Baixada

A melhora em indicadores de educação fez com que as regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista aumentassem seu IDHM. A evolução foi verificada entre 2000 e 2010.

O relatório apontou que a melhora no índice geral das duas regiões foi puxada por um avanço mais significativo na área de educação do que em renda ou longevidade. O índice geral passou em Campinas de 0,710 para 0,792 e, em Santos, de 0,7 para 0,777.

Já o IDHM Educação passou em Campinas de 0,582 para 0,726 e, em Santos, de 0,579 para 0,720. O índice de educação é formado por cinco indicadores: percentual da população com mais de 18 anos com Ensino Fundamental, percentual de crianças de 5 a 6 anos matriculados na escola, percentual de jovens de 11 a 13 anos nos anos finais do Ensino Fundamental, percentual de jovens de 15 a 17 anos com Ensino Fundamental completo e percentual de jovens de 18 a 20 anos com Ensino Médio completo.

De acordo com o relatório, as duas regiões tiveram uma melhora mais significativa no indicador sobre o número de crianças de 5 a 6 anos na escola. Em Campinas, o percentual passou de 71,98% para 95,64% do total da população crianças nessa faixa etária.

Já em Santos passou de 77,35% para 93,73%. Embora as duas regiões tenham pontuações suficientes para serem classificadas como de “alto desenvolvimento humano” (maior ou igual a 0,7 até o limite de 0,8), o relatório aponta para um alto grau de desigualdade. (Agência Estado)

15 maiores IDHMs de Campinas

Região IDHM

Alphaville: 0,954

Gramado: 0,954

Barão do Café: 0,954

Condomínio Plaza Towers: 0,954

Estância Paraíso: 0,954

Parque Prado: 0,954

Paineiras: 0,954

Vila Verde: 0,954

Barão Geraldo / Unicam: p0,941

Centro / Cambuí: 0,941

Jardim Chapadão: 0,941

Nova Campinas: 0,941

Parque Itália: 0,941

San Conrado: 0,941

Bosque: 0,912

15 Menores IDHMs de Campinas

Região IDHM

Satélite Íris: 0,636

Conjunto Habitacional Olímpia: 0,636

Jardim Pauliceia: 0,636

Jardim São Sebastião: 0,636

Residencial Chico Amaral: 0,636

Cristo Redentor: 0,636

Jardim Boa Esperança: 0,636

Jardim Eulina: 0,636

Jardim Maracanã: 0,636

Jardim Santa Lúcia: 0,636

Parque Campinas I: 0,636

Oziel / Monte Cristo: 0,636

Residencial São Luís: 0,636

Residencial Gênesis: 0,651

Jardim Ieda: 0,651

Escrito por:

Bruno Bacchetti