Publicado 01 de Julho de 2015 - 20h00

Por Sarah Brito

Carolina Figueiredo registrou o boletim de ocorrência após o caso e disse que a agressão foi "horrível" .

Élcio Alves/ AAN

Carolina Figueiredo registrou o boletim de ocorrência após o caso e disse que a agressão foi "horrível" .

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), da Polícia Civil de Campinas, vai investigar a agressão a uma manifestante na última sessão da Câmara, mostrada em um vídeo gravado durante a votação no dia 29, quando o Legislativo vetou a inclusão da discussão de gênero nas escolas. O vídeo mostra o momento em que uma professora, a favor da inclusão, é agredida por outro - que se posicionava contra - levando dois socos na cabeça. A vítima, Carolina Figueiredo, registrou o boletim de ocorrência após o caso e disse que a agressão foi "horrível" .

Durante a sessão, o responsável pela agressão, Cássio Guilherme Silveira, mostrava a bandeira do Movimento Integralista Linear Brasileiro quando entrou em conflito com a professora e socou a cabeça dela. Ele é presidente do movimento e era contrário a inclusão da ideologia de gênero nas escolas. Ele disse que os tapas foram em "legítima defesa" , porque a professora, havia agredido os integrantes do Integralismo antes.

As imagens foram feitas pela TV Movimento. O vídeo mostra que guardas municipais estavam próximos aos manifestantes, mas não evitaram a agressão. A sessão aprovou, em primeira instância, o projeto de emenda à Lei Orgânica, que veta a inclusão da chamada "ideologia de gênero" no Plano Municipal de Educação. Se aprovado em segunda instância, o texto proibirá que o Executivo inclua o tema no currículo escolar.

Carolina disse que a agressão foi "horrível" e que o momento foi muito tenso. "A sessão teve um discurso de ódio muito grande. Eu estava muito perto do cordão feito pela GM que dividia o plenário entre as posições contrária e a favor, e o agressor me empurrou, deu tapas na cara. A Câmara e a Guarda Municipal foram coniventes com o que ocorreu" , disse.

Segundo ela, o agressor foi escoltado do Plenário pela Guarda Municipal, mas não foi levado para a delegacia de polícia. Silveira alega que a professora agrediu antes os militantes do Movimento Integralista, tentando rasgar a bandeira que carregavam e que teria mordido a mão de um deles. Ela nega. "Não aconteceu nada disso. Pelas fotos e imagens dá para ver a desigualdade. Tenho 50 quilos, ele é enorme. Nada disso ocorreu" , disse.

Em nota oficial, o PSOL repudiou a agressão e disse que é "inadmissível que a violência contra a mulher e o machismo sejam reproduzidos no espaço que deveria combatê-los". O partido também criticou a postura da Guarda Municipal, que "nada fez e ainda tentou justificar a omissão covarde alegando que a agressão era mútua". O PSOL pede punição ao agressor. A agressão foi registrada no 1º DP, e foi encaminhada à DDM.

O presidente do PSOL, Arlei Medeiros, disse que a Câmara tem adotado atitude repressora, não liberando espaço suficiente para as pessoas contrárias a posição da maioria dos vereadores. "Nossos advogados vão acompanhar o caso e estudar. O que ocorreu não nos intimida, mas ficamos preocupados. Queremos um debate público com respeito" , afirmou.

Câmara

A Câmara de Campinas informou, em nota oficial, que "refuta veementemente qualquer tipo de violência cometida por quem quer que seja, sob quaisquer alegações" . A Câmara também refutou a acusação de que o Legislativo e seus integrantes foram coniventes em relação a este tipo de conduta.

O Legislativo informou também que é aberto à população, e permite a entrada de pessoas de todas as convicções para que se manifestem de maneira respeitosa. No entanto, devido ao assunto polêmico votado no dia 29, informou que tomou "medidas preventivas para evitar quaisquer confrontos entre os presentes nas sessões" .

Na segunda-feira, o Legislativo informou que "a Guarda foi acionada e estava na Casa já antes da sessão, e acompanhou toda ela dentro do plenário, assim como a Polícia Militar dava suporte do lado de fora" . Quando houve o tumulto, a Câmara informou que a GM interveio, "separando as partes e levando-as ao 5º DP, que deverá proceder inquérito para apurar responsabilidades".

A Casa ressaltou que a ação da GM pôde ser constatada inclusive pelas palavras dos vereadores ao vivo (e gravadas) pela TV Câmara, uma vez que "o vereador Pedro Tourinho (PT), que ocupava o microfone, alertou à presidência da mesa sobre uma agressão que estaria enxergando no plenário e o presidente Rafa Zimbaldi prontamente pediu ao vereador que se acalmasse porque a GM já estava no local separando os envolvidos" .

GM

A Guarda Municipal, por meio de assessoria de imprensa, informou que os guardas que estavam no local e agiram corretamente. Após a agressão, a GM informou que separou os manifestantes e encaminhou ambos para a delegacia.

Legítima Defesa

O engenheiro e presidente do Movimento Integralista e Linearista Brasileiro (Milb), Cássio Guilherme Silveira, afirmou, em entrevista ao Correio, que a agressão foi "legítima defesa", mas sem a intenção de machucar a manifestante. Segundo ele, a professora estava agressiva e puxar a bandeira que ele segurava no intuito de rasgá-la. "Não fomos lá para criar confusão ou agir com violência contra ninguém. O problema é que alguns militantes a favor [da inclusão da discussão de identidade de gênero nas escolas] começaram a ameaçar pessoas do nosso movimento" , afirmou.

Silveira disse também que a professora mordeu a mão de um dos militantes do Movimento Integralista. "Também fizemos boletim de ocorrência contra ela. E, no calor do debate, não podemos aceitar que sejamos ofendidos e não ter posição de defesa. Foi uma atitude de agressão por parte deles." , disse. O presidente disse que o Movimento não tem interesse em entrar em confronto físico com membros de partidos políticos. Ele também disse que concorda com o veto de incluir nas escolas o debate de identidade de gênero. Para ele, a escola precisa de investimento, e não de discussões ideológicas. "Isso pode causar psicopatia e alterações comportamentais nas crianças. Não é o que precisamos".

Silveira é servidor público federal e vive em Campinas, de onde comanda as ações do movimento. Ele criou o grupo há 15 anos. Na cidade, são 35 membros do Movimento Integralista.

Acusado é da PF e afirma que agiu para se defender

O engenheiro e presidente do Movimento Integralista e Linearista Brasileiro (Milb), Cássio Guilherme Silveira, afirmou, em entrevista ao Correio que a agressão foi em “legítima defesa”, mas sem a intenção de machucar a manifestante.

Silveira é policial federal e diz estar alocado no Tribunal Regional do Trabalho. A PF confirmou que Silveira é servidor da corporação e que estava em folga. Um procedimento disciplinar interno será aberto para apurar a sua atitude.

Segundo o policial, a professora estava agressiva e chegou a puxar a bandeira que ele segurava para rasgá-la. “Não fomos lá para criar confusão ou agir com violência. O problema é que alguns militantes a favor (da inclusão da discussão de identidade de gênero nas escolas) começaram a ameaçar pessoas do nosso movimento”, afirmou.

Silveira disse também que a professora mordeu a mão de um dos militantes integralistas. “Também fizemos boletim de ocorrência contra ela. E, no calor do debate, não podemos aceitar que sejamos ofendidos e não ter posição de defesa.”

O militante integralista afirmou ainda que o movimento não tem interesse em entrar em confronto com membros de partidos. Ele disse que concorda com o veto ao debate de identidade de gênero nas escolas. Na sua opinião, a escola precisa de investimento, e não de discussões ideológicas. “Isso pode causar psicopatia e alterações comportamentais nas crianças. Não é o que precisamos.”

Escrito por:

Sarah Brito