Publicado 30 de Junho de 2015 - 19h13

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Arquivo

A Prefeitura de Sumaré informou ontem que não priorizará os moradores da ocupação Vila Soma nos programas habitacionais do município. Em nota, a administração disse que milhares de pessoas aguardam na fila do cadastro habitacional e lembrou que para participar dos programas de habitação é necessário residir há pelo menos cinco anos no município. Segundo levantamento recente da Prefeitura, somente 11% dos moradores da ocupação são oriundos da cidade. A administração também condenou os protestos que causam transtornos à população. O anúncio da Prefeitura foi divulgado em meio a pressão de moradores da cidade contrários à ocupação.

No último dia 22, uma reunião do Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse (Gaorp), no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), costurou acordo para que os moradores da Vila Soma sejam transferidos para três áreas dos bairros Maria Antônia e Jardim Picerno. As áreas exatas devem ser apresentadas pela construtora Emccamp em nova reunião, marcada para o dia 3 de julho. No entanto, em nota divulgada ontem, a Prefeitura afirmou que não vai priorizar os moradores da ocupação.

“A Prefeitura de Sumaré não pode quebrar a ordem cronológica das famílias a serem beneficiadas pelo Programa de Habitação e não vai passar os ocupantes da Soma à frente destas famílias de Sumaré, que aguardam há mais tempo na fila do Cadastro”. A administração reconheceu que os protestos dos moradores da Vila Soma estão afetando o cotidiano da cidade. “Os inúmeros transtornos e situações de perturbação da ordem pública já causados pelas manifestações de ocupantes da Soma, estão criando um ambiente de confronto, improdutivo para todos”.

A coordenação da Vila Soma foi procurada pela reportagem e informou que enviaria uma nota oficial, mas até o fechamento desta edição não encaminhou a resposta.

Movimento

Moradores de Sumaré contrários às ações promovidas pelos participantes da ocupação Vila Soma estão se movimentando e criaram uma petição on line, chamada Sumaré Livre, na qual pedem o fim da ocupação. Eles alegam que muitas famílias da cidade aguardam há décadas para receberem moradia e estão sendo prejudicados pela ocupação, composta em sua maioria por pessoas oriundas de outras cidades. Outro argumento utilizado pelo autor da petição é que os protestos realizados pelos moradores da ocupação trazem transtornos à população e aumento da violência. A petição foi criada na segunda-feira e até as 18 horas de ontem já tinha mais de 600 assinaturas. O documento, no entanto, não tem poder jurídico e serve como um instrumento de pressão popular.

Na semana passada, a Prefeitura divulgou um levantamento realizado na ocupação em maio. O estudo apontou que existem 2.682 pessoas efetivamente vivendo na área de quase 1 milhão de metros quadrados invadida em junho de 2012, distribuídas em 1.943 unidades habitacionais. De acordo com a Prefeitura, somente 224 famílias são de Sumaré, o que corresponde a 11% do total. O levantamento encontrou pessoas de 38 cidades do Estado de São Paulo e de 15 Estados, além de pessoas oriundas do Chile, Haiti, Bolívia e Paraguai. Representantes da ocupação, no entanto, estimam que aproximadamente 10 mil pessoas vivam na comunidade.

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Bruno Bacchetti