Publicado 30 de Junho de 2015 - 18h34

FOTOS DE JANAÍNA

Cecília Polycarpo

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

A coleta mecanizada implementada no ano passado em cinco das principais regiões de Campinas (Centro, Cambuí, Sousas, Joaquim Egídio e Barão Geraldo) é alvo de uma ação popular de moradores dos bairros. Eles pedem o fim do sistema responsável por espalhar 3,7 mil contêineres pelas ruas da cidade. Desde o início de sua implantação, em maio de 2014, a nova coleta é polêmica e recebe críticas da população. Os usuários alegam que as caçambas são mal posicionadas e que a frequência da higienização, de uma vez por mês, é insuficiente. Além disso, há queixas de que o sistema não foi apresentado previamente e nem debatido com a população. Todos esses argumentos constam na ação, que foi validada pelo Ministério Público.

A ação corre na 1ª Vara da Fazenda de Campinas desde setembro do ano passado. O juiz pediu manifestação da Prefeitura e da Renova Ambiental, empresa que faz o serviço. Ambas contestaram os argumentos do processo e pediram a anulação do caso. Os moradores agora aguardam a sentença do juiz.

A iniciativa de mover a ação foi do morador de Barão Geraldo, Renato César Pereira, e recebeu a adesão dos Conselhos Municipais de Segurança (Consegs) das outras quatro regiões. Barão foi o primeiro local a ter a instalação dos contêineres, que provocou rejeição de usuários logo nos primeiros dias. O Correio fez uma série de matérias em que os moradores afirmaram não terem sido consultados pelo novo sistema. Na ação, o grupo alega que a audiência pública no distrito para debater a coleta ocorreu apenas seis dias antes da implantação, e não foi devidamente divulgada.

Eles contestam também a frequência da lavagem das caçambas e afirmam que a limpeza não é feita quando ela está com lixo. No processo, há um link de um vídeo no Youtube que mostra o caminhão indo embora sem lavar uma dos contêineres. Além disso, o grupo alega que os contêineres são posicionadas nas calçadas em diversas ruas do Cambuí, Centro e Barão Geraldo, impedido a circulação de cadeirantes e carrinhos de bebês em vários pontos.

“Está claro que há ineficiência do serviço e falta de planejamento na instalação dessas lixeiras. Tem muitos pontos de Barão onde estão faltando contêineres onde em outros estão sobrando”, disse Pereira. Para o presidente do Conseg do Centro, Fileto Albuquerque, o sistema antigo de coleta, com sacos de lixo, era mais eficiente e barato que o atual. Albuquerque disse que o escasso espaço para estacionamento e circulação de carros fica ainda mais comprometido com os contêineres. “E não existe sinalização, os refletores são pequenos. Algumas nem têm mais o adesivo. Isso sem falar no mau cheiro”, completou.

Coleta Seletiva

Outro argumento da ação seria de que a coleta mecanizada prejudica a seletiva, pois compactaria indiscriminadamente todos os resíduos. O Correio percorreu na manhã de ontem ruas do Centro, Cambuí e Barão Geraldo e viu diversos contêineres com material reciclável. Além disso, há caçambas nas calçadas de pelo menos cinco vias: Moraes Sales, Conceição, Coronel Qurino, Albino J. B. Oliveira e Dr. Romeu Tórtima. Na Rua Maria Monteiro, no Cambuí, uma das caçambas estava no meio da rua, e não no meio fio.

A maioria das caçambas está deteriorada nas três regiões, com pichações, rodas quebradas e sem os refletores para serem vistas por motoristas à noite. No início de junho, levantamento feito pelo Departamento de Limpeza Urbana (DLU) estima que, das 3,7 mil lixeiras instaladas, cerca de 80% foram alvo de pichação, e de 2% a 5% (de 74 a 185) dos equipamentos já foram substituídos por vandalismo.

Há ainda casos de moradores que ignoram a coleta mecanizada. Em Barão Geraldo, algumas pessoas continuam colocando os sacos nas lixeiras de metal em frente às casas. “Eles têm preguiça de andar 10 ou 15 metros e deixam o lixo orgânico no local onde deveria estar o reciclável”, disse a estudante de engenharia de alimentos Maria Eugênia Camargo, de 20 anos.

Prefeitura

O Correio procurou a Prefeitura para se posicionar sobre a ação, mas a Administração informou apenas que fez a contestação da ação. Na manifestação, a Prefeitura alega que “não há dispositivo legal para sustentar a ação”. Ou seja, não existiria irregularidades da licitação e contratação da Renova. O procurador do município diz ainda que ocorreram audiências públicas e que o sistema não fere a legislação ambiental.

O Plano Municipal Integrado de Resíduos Sólidos determina que até 2033 toda a cidade tenha a coleta de lixo mecanizada. A Prefeitura ainda avalia quais serão as próximas regiões a receber o sistema mecanizado de coleta de lixo, mas o diretor do DLU, Alexandre Gonçalves disse que um dos locais prováveis é o bairro Ponte Preta.