Publicado 30 de Junho de 2015 - 17h22

Por Adagoberto F. Baptista

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

O casal de morador em situação de rua e dependentes do crack Elissandro da Silva, de 32 anos, e Franscislaine Aparecida, de 30, receberá hoje atendimento no Instituto Padre Haroldo, através do Programa Recomeço do governo estadual. A situação do casal, que busca há mais de 10 dias a internação, foi mostrada pelo Correio na edição de ontem. Francislaine será internada em definitivo, e seu companheiro passará por uma avaliação de perfil - último passo para também receber o tratamento.

Na segunda-feira, Francislaine esteve com Elissandro na sede da coordenadoria municipal de Prevenção às Drogas de Campinas para retirar o seu Cartão Recomeço. Esse instrumento é uma política pública de prevenção e tratamento do álcool e outras drogas em comunidades terapêuticas, no caso de Campinas o Instituto Padre Haroldo, que recebem R$ 1.350,00 mensais por usuário em tratamento. O cartão serve também como instrumento de monitoramento da frequência do dependente no tratamento e controle da prestação do serviço pela entidade. Não há possibilidade de outro uso comercial.

Ambos relataram que estão no mundo das drogas desde a infância, e na semana passada, durante ações da semana de Prevenção às Drogas realizada na região central, o casal buscou junto à coordenadoria uma internação imediata, já que não aguentavam mais ficar nas ruas. Porém, o casal precisa seguir os trâmites necessários até o ingresso no instituto, e por duas ocasiões, segundo a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, ele faltaram às entrevistas e o prazo para a internação foi estendido. Eles deram entrada no tratamento através do programa Recomeço no dia 11 de junho, e no dia 17 não compareceram no instituto. Foi novamente agendado para o dia 22, mas tornaram a não comparecer. O casal confirmou que fez uso da droga na data e não compareceram.

A reportagem também revelou a conduta do coordenador do programa de Prevenção às Drogas de Campinas, Nelson Hossri, junto ao casal que o procurou na semana passada. Ele disse na gravação feita pela TV Correio que o dependente de crack é “incurável” e para que o casal parasse com o “costume do assistencialismo”. A maneira da abordagem feita por Hosrri foi considerada inadequada pela secretária municipal de Cidadania Jane Valente e pela Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo, que não viu consonância com o protocolo de atendimento inicial aos usuários de substancias psicoativas, conforme preconiza o Programa Recomeço.

A secretária Jane Valente informou que teria uma conversa com o coordenador ontem, para que ele explicasse a conduta que teve com os moradores. Porém, através da assessoria de imprensa, a titular da pasta informou que agora o teor da conversa “será tratado internamente”.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista