Publicado 30 de Junho de 2015 - 15h48

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O volume de água que entrou no Sistema Cantareira em junho foi o segundo menor para esse mês na história do sistema. A vazão afluente média ficou em 13,63 metros cúbicos por segundo (m3/s), segundo a Sala de Situação da Agência Nacional de Águas (ANA). A menor vazão de junho, desde 1930, ocorreu no ano passado, no auge da crise hídrica, quando apenas 6,62 m3/s entraram nos reservatórios – tanto por chuva quanto pelos rios que nascem no Sul de Minas e são represados em São Paulo.

O volume de chuva sobre o sistema ficou em 32,4% abaixo da média histórica, que é de 58,5 milímetros (mm). Em junho choveu 39,5 mm. Foi o terceiro mês seguido com chuvas abaixo do esperado.

Com isso, o nível chegou a 19,9% da capacidade de armazenamento do manancial, sem considerar a reserva técnica (a água que fica abaixo das comportas). Segundo informações diárias da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), incluindo esse volume, o nível é de 15,4%. Há exatos 12 meses, o nível do sistema era de 20,6%. O volume útil do Sistema Cantareira (982 bilhões de litros) se esgotou no dia 11 de julho de 2014. No dia 24 de outubro de 2014 um volume adicional de 105 bilhões, do chamado volume morto 2, tornou-se utilizável e começou a ser usado em 15 de novembro de 2014, quando a primeira cota de esgotou.

O volume de água descarregado pelo sistema nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) foi aumentado para 2,56 m3/s – sendo 2,36 m3/s no Rio Atibaia e 0,20 m3/s no Rio Jaguari. A medida é um reforço para evitar problemas no abastecimento das cidades, como Campinas, que fazem captação nesses mananciais. O Rio Atibaia, na região onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) capta água para abastecer 95% de Campinas, registrou ontem uma vazão média de 5,3 m3/s. O volume que está passando em Campinas é suficiente, em quantidade, para garantir o abastecimento, já que a Sanasa vem captando cerca de 3 m3/s. O risco está na piora da qualidade da água – com baixa vazão há maior concentração de poluentes que consomem o oxigênio e sem ele, não há como fazer o tratamento da água para distribuir a população.

Se o Sistema Cantareira receber a média de chuva esperada, irá sair do volume morto em janeiro de 2016, voltando à cota zero. A previsão está no relatório de 3 de junho do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Se as chuvas ficarem 25% abaixo da média, em 1º de dezembro o sistema terá recuperado apenas um terço do 1º volume morto. Se ficarem 25% acima da média histórica, o primeiro volume morto será recuperado no final de novembro.

Se as chuvas ficarem 50% abaixo da média, previsão mais pessimista, o Cantareira voltaria a usar o segundo volume morto em dezembro. Mas se a precipitação superar a média em 50%, análise mais otimista, o sistema recuperaria o volume morto e sairia do negativo em outubro.

RETRANCA

O pregão eletrônico para definir o consórcio de empresas que fará as obras de interligação dos reservatórios Jaguari, na Bacia do Rio Paraíba do Sul, e Atibainha, no Sistema Cantareira, foi suspenso na segunda-feira, mas sem data marcada para ser retomado, quando os lances já estavam com deságio de 32,8%. O valor das obras, estimado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) em R$ 830,5 milhões, chegou a receber lance de R$ 557,5 milhões. Vencerá quem oferecer o menor preço.

O pregão foi suspenso às 16h. O motivo, segundo a ata da Comissão Especial de Licitação, foi “o adiantado da hora”. A sessão será retomada, ainda segundo a ata, oportunamente, sem que tenha sido definida a data.

Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de forma emergencial, em janeiro, a transposição irá beneficiar diretamente 39 municípios que compõem a Grande São Paulo. Beneficiará também, subsidiariamente, 20 municípios da região metropolitana de Campinas, pois o Sistema Cantareira, em condições normais, fornece uma vazão de 5 m³/s para a região.

A interligação irá reforçar o Sistema Cantareira, e funcionará em mão dupla. São 19 quilômetros de obras, sendo 13 quilômetros de adutoras e 6 quilômetros de túneis.

ELEMENTO

Cantareira – 19,9%

Rio Atibaia – 5,3 m3/s

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Maria Teresa Costa