Publicado 29 de Junho de 2015 - 22h05

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Com uma vazão em torno 4.90 m3/s, registrada ontem e no domingo na captação de Valinhos, o Rio Atibaia, volta a beirar o estado de alerta. O Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ) afirma que os índices são preocupantes e que se não chover entre hoje e amanhã será emitido o sinal de alerta. O Consórcio espera ainda que a Sabesp libere um volume maior de água do Atibaia hoje. Caso isso não ocorra, os participantes da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico avaliam solicitar a liberação ao órgão para ajudar os rios da região. O objetivo é evitar o estado de restrição – o que pode levar os municípios a adotar medidas drásticas como o rodízio.

Gerente técnica do consórcio PCJ, Andréa Borges explica que o limite mensal de liberação do Cantareira para o PCJ é de 3,5 m3/s. Na média mensal de junho, foram liberados 1,5 m3/s. “A ideia é liberar o mínimo possível, mas como o mês está acabando a Sabesp poderia liberar mais para dar um fôlego para gente. Hoje (ontem), foi liberado 2,3m3/s para o PCJ. Em compensação para o Alto Tietê, a liberação máxima deles é 13,5m3/s e a média do mês está em 13,5m3/s. Acredito que pelo fato dos rios estarem próximos do estado de alerta, essa liberação seja maior amanhã (hoje). Caso isso não ocorra, durante a reunião da câmara técnica de monitoramento hidrológico poderemos solicitar aos gestores o aumento dessa liberação”, afirmou.

O Consórcio publica duas vezes por semana o estado das vazões nas Bacias PCJ. Entre sexta-feira e domingo a vazão média do Alto Tietê ficou em 5,36 m3/s. Isoladamente, a telemetria, na captação de Valinhos, chegou a registrar 4.90m3/s no domingo e 4.8m3/s ontem. O estado de alerta é emitido quando esse índice está entre 4 e 5 m3/s. Abaixo de 4 m3/s é emitido o estado de restrição. O Estado de Alerta não restringe o uso da água, mas chama a atenção dos usuários para a proximidade de uma restrição. Já o Estado de Restrição determinareduções de captação da água dos rios para abastecimento público e para matar a sede de animais em 20% do volume diário outorgado. Para uso industrial e irrigação a redução é de 30% do volume diário outorgado; todos os demais usos são paralisados durante o Estado de Restrição.

Em Campinas, a situação é um pouco mais confortável, segundo Marcos Lodi, coordenador de comunicação da Sanasa, já que o município conta com o “incremento” de água do Córrego Pinheiros, o que eleva a captação em aproximadamente 1.0 m3/s. “A cidade requer 3m3/s. Se estamos com 5.95 temos água para abastecer Campinas. É lógico que os índices acendem um sinal de alerta em relação à qualidade da água. Em outubro passado ficamos 10 dias sem água em alguns bairros, por conta não da falta d’água, mas da qualidade. A Sansa só vai entregar água para população se estiver com qualidade”, disse.

Andréa afirma que o cenário de modo geral é preocupante e pode piorar. “Muitos municípios não têm plano de contingência. A preocupação é em relação a hospitais, escolas. Se não tem plano para atender esses serviços o problema é maior para comunidade”. Ela alerta para a necessidade de mudança de cultura em relação à água. “A redução de consumo tem que ser para sempre”, afirmou.

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