Publicado 28 de Junho de 2015 - 17h06

Por Paulo César Dutra Santana

Paulo Santana

Da Agência Anhanguera

[email protected]

Na briga declarada de Rivaldo com a torcida, quem está pagando o preço é o Mogi Mirim. Em último lugar na Série B do Campeonato Brasileiro com apenas três pontos, o Sapão apresentou mais um triste capítulo de sua trajetória rumo à Série C de 2016. Jogando em casa contra o CRB, anteontem, perdeu pela sexta vez em nove rodadas – ainda não venceu – com as arquibancadas absolutamente vazias.

É que, por causa das críticas contra seu time, o pentacampeão mundial que é o dono do clube, decidiu inflacionar o preço do ingresso. Em vez de R$ 20,00, que era o preço médio, elevou para R$ 100,00 e, literalmente, espantou a torcida. “Quem gosta do Mogi, como eu, vai pagar”, dizia Rivaldo, antes da partida que terminou 1 a 0 para os visitantes.

Mas, o que se viu foi exatamente o contrário. O borderô indicou que 244 pessoas pagaram ingressos, mas - na real - quase ninguém deixou dinheiro na bilheteria. Isso porque quatro patrocinadores receberam ingressos para distribuir a seus fornecedores e funcionários, 15 pessoas estavam torcendo pelo CRB e havia muitos parentes de atletas nas sociais, que certamente também não pagaram nada.

“Eu peguei 50 e dei para o pessoal da firma ver o jogo. Se soubesse que o preço seria tão alto, teria vindo aqui para vender mais barato”, comentou, em tom de brincadeira, o diretor de um dos parceiros do clube que pediu para não revelar o nome de sua empresa.

Segundo informações colhidas pela reportagem nas bilheterias, cerca de 20 pessoas se dispuseram a comprar ingresso. “Sou torcedor do Mogi e acho que o sacrifício vale a pena. Estou fazendo a minha parte, mas acho que o Rivaldo deveria rever esta sua posição. Nem todos podem pagar este valor e o clube precisa da torcida”, disse o supervisor de RH, Claudinei de Freitas Garcia.

Mas nem todos pensavam como ele. “Com este dinhero, prefiro comprar picanha e um fardo de cerveja para fazer churrasco em casa”, comentou o torcedor Gustavo Lissoni, que se assustou com o preço assim que se aproximou da bilheteria. “Como jogador, o Rivaldo foi um craque. Como administrador, prefiro nem comentar nada. Vou par casa e ficarei ouvindo pelo rádio”, completou.

Os integrantes da torcida organizada Mancha Vermelha foram ao estádio com o desejo de protestar. “Aonde já se viu um preço desse? Aqui é Mogi Mirim e não uma arena de Copa do Mundo”, reclamou o estudante Danilo Vítor. “Se tivesse 100 reais, eu preferia gastar no Itatinga (bairro de prostituição de Campinas) do que entregar para o Rivaldo fazer graça”, endossou Anaílson de Oliveira, que é diretor da organizada. Pouco depois das declarações, os jovens receberam ingresso gratuitos e puderam acompanhar a partida.

Escrito por:

Paulo César Dutra Santana