Publicado 28 de Junho de 2015 - 17h07

Por Marita de Siqueira

Marita Siqueira

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Foto: Dominique Torquatto

A 15° Parada do Orgulho LGBT de Campinas, realizada na tarde de ontem, foi marcada por discursos enfáticos sobre temas relacionados a causa e abordou acontecimentos recentes, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, anunciada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, e a polêmica em pauta na Câmara Municipal a respeito de um projeto de lei contrário à "ideologia de gênero" e que proíbe o debate, nas salas de aula, de temas que envolvem questões de identidade e orientação sexual.

Esses assuntos compuseram os discursos dos lideres do movimento sobre o trio elétrico que guiou a caminhada, cujo percurso, diferentemente dos anos anteriores, partiu do Largo do Para, no Centro, sentido ao Tunel Joá Penteado e a Avenida Prefeito Faria Lima, na Vila Industrial – antes concentrava-se no Centro. A mudança foi motivada pelas obras e revitalização da Avenida Francisco Glicério. “Tivemos que fazer essas alterações, mas acredito que tenha sido feito da melhor maneira possível. Nesta edição, temos mais atrações culturais. Às 15h começaram os show no Túnel”, diz um dos membros da Associação Organizadora da Parada, Douglas Holanda.

Logo na saída, o primeiro caminhão quebrou, parando a Parada por aproximadamente 30 minutos. O imprevisto, no entanto, não desanimou o público, estimando em cerca de 15 a 20 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar (PM). O número se refere ao final da concentração no Pará e está acima do esperado pela organização, que era de 10 mil.

A expectativa mais baixa se explica pela diminuição de pessoas na Parada em São Paulo, segundo a coordenadora do Centro de Referência LGBT da Prefeitura de Campinas, Valdirene Santos. “Em São Paulo, caiu o número de manifestantes esse ano. É difícil mensurar as causas, mas estamos vivendo em um momento muito complicado, de retrocesso, e as pessoas estão ficando cansadas”, diz. “É preciso que essas cores estampadas nas redes sociais saiam da tela e entrem de vez nas nossas vidas”, completa.

O encerramento da Parada LGBT de Campinas ocorreu no Tunel Joá Penteado, onde teve apresentações de drag queens e show de encerramento com a Banda Demoond, às 22h. Até o fechamento desta edição, não havia sido registrada nenhuma ocorrência.

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Nos discursos dos organizadores da Parada Gay de Campinas, foram feitas críticas ao vereador Campos Filho (DEM), autor da emenda constitucional contrária à “ideologia de gênero”, que vai a votação hoje na Câmara Municipal. A sessão começa às 18h e será a última antes do recesso parlamentar de julho.

O tema é polêmico e causou tumulto nas audiências anteriores do plenário. Trata-se da proposta de emenda à Lei Orgânica do Município que trava qualquer discussão sobre a Ideologia de Gênero dentro do Plano Municipal de Educação. Desta forma, a proposta do autor, Campos Filho, é de proibir o debate, nas salas de aula, de temas que envolvem questões de identidade e orientação sexual.

Além dessa pauta, outras cinco discussões e votações estão prevista para a sessão de hoje.

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Marita de Siqueira