Publicado 28 de Junho de 2015 - 10h44

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A licitação na modalidade pregão eletrônico para as obras de interligação dos reservatórios Jaguari, na Bacia do Rio Paraiba do Sul, e Atibainha, no Sistema Cantareira, será aberta hoje e oito consórcios estão na disputa do empreendimento, orçado em R$ 830,5 milhões, dos quais R$ 747,4 milhões virão do governo federal por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A previsão é que entre em operação no início de 2017. O Sistema Cantareira se manteve estável ontem e operou com 19,9% da capacidade, na faixa do volume morto.

Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de forma emergencial, em janeiro, a transposição irá beneficiar diretamente 39 municípios que compõem a Grande São Paulo. Beneficiará também, subsidiariamente, 20 municípios da região metropolitana de Campinas, pois o Sistema Cantareira, em condições normais, fornece uma vazão de 5 m³/s para a região.

A interligação irá reforçar o Sistema Cantareira, e funcionará em mao dupla. São 20 quilômetros de obras, sendo 13 quilômetros de adutoras e 6 quilômetros de túneis.

Segundo a Sabesp, contratante da obra, a interligação entre as represas permitirá a captação de água na represa Jaguari (Bacia do Paraíba do Sul) e a transferência para a represa Atibainha (bacia do Sistema Cantareira). Com vazão média prevista de 5,1 m3/s e máxima de 8,5 m3/s, o sistema também permitirá a transferência de água no sentido contrário, da represa Atibainha para a Jaguari.

A represa Jaguari de Igaratá tem capacidade para 1,2 bilhão m3/s. Sozinha ela armazena 20% mais água do que o volume útil dos quatro reservatórios do Cantareira juntos. A transferência estará pronta para funcionar em 18 meses, após assinatura de contrato, no sentido da Jaguari para a Atibainha, reforçando o Sistema Cantareira

Na fase de pré-qualificação, 14 consórcios se apresentaram na disputa que define a empresa que será contratada para elaboração dos projetos básico, executivo e obras. Pelo contrato assinado na semana passada, a Sabesp tem prazo de 20 anos para pagar o financiamento, incluídos os períodos de carência e amortização.

De acordo com o governador de São Paulo, com as obras, a capacidade de reservas das duas represas dobrará, passando de 1 bilhão de metros cúbicos por segundo (m3/s) para 2,1 bilhões. Na avaliação de Alckmin, a transposição diminuirá a “vulnerabilidade” dos sistemas.

O empreendimento será contratado por meio do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), sistema de licitação pública que evita burocracia e acelera o início e a entrega de obras.

RETRANCA

Sem chuvas significativas desde o início do mês, a estiagem está reduzindo a vazão do Rio Atibaia, que ontem registrou um volume de apenas 4,8 metros cúbicos por segundo (m3/s) passando pela área de captação da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). A empresa, na sexta-feira, temendo riscos de abastecimento, encaminhou pedido de mais liberação do Sistema Cantareira no Atibaia – as regras de operação do sistema em junho definem o máximo de 3,5 m3/s, mas ontem o sistema ainda estava descarregando 2,3 m3/s.

O volume que está passando em Campinas é suficiente, em quantidade, para garantir o abastecimento, já que a Sanasa vem captando cerca de 3 m3/s. O risco está na piora da qualidade da água – com baixa vazão há maior concentração de poluentes que consomem o oxigênio e sem ele, não há como fazer o tratamento da água para distribuir a população.

ELEMENTO

Cantareira – 19,9%

Rio Atibaia - 4,8 m3/s

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Maria Teresa Costa