Publicado 03 de Junho de 2015 - 16h16

Por Alenita de Jesus

ÍíAlenita Ramirez

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Foto: Alenita Ramirez Facebook

A morte do empresário Marcos Onofri Júnior, de 39 anos, anteontem à noite, ampliou a sensação de insegurança em Campinas e levou medo aos moradores do Jardim Nova Europa, onde o crime ocorreu. Ontem, a academia onde a vítima estava com o filho de 3 anos ficou fechada em luto. O caso foi registrado como latrocínio, roubo seguido de morte. Com este, sobe para sete o número deste crime na cidade só nos seis primeiros meses deste ano. Um número que é quase igual ao registrado em todo o ano de 2014, quando foram registrados oito casos. Maio deste ano foi o mês que mais registrou latrocínio: três. Entre janeiro e abril foram três casos.

Apesar de todos os casos terem sido registrados como roubo ou tentativa de roubo seguido de morte, o Departamento Polícia Judiciária (Deinter) contesta os números. Segundo o delegado assistente do Deinter, Luís Segantin, apenas quatro dos casos são considerados latrocínio. Os casos do metalúrgico de 48 anos que foi morto com dois tiros - cabeça e perna – ao reagir a um assalto no portão de sua casa, na Vila União, e do motorista de 39 anos de São Paulo que foi morto com um tiro no braço esquerdo e um na cabeça dentro do caminhão na Rodovia dos Bandeirantes, ambos em maio, e o do empresário de anteontem, vão ser também investigados como homicídio, já que não se levou nada e até o momento não há provas e nem testemunhas de que foi realmente assalto. "Nesses casos não foi demonstrado claramente a tentativa de subtração de bem patrimonial", frisou Segantini.

O caso do empresário será investigado pelo Setor de Homicídio em conjunto com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Apesar das circunstâncias do boletim de ocorrência, será trabalhada também a possibilidade de homicídio. A ação foi muito rápida e as evidências que apuramos no local mostraram que os criminosos já chegaram atirando”, comentou o chefe de investigação da DIG, Marcelo Hayashi.

Apesar da confirmação de latrocínio de quatro casos, nem um suspeito foi preso ou identificado até ontem. Segundo Segantini, as investigações dos crimes seguem. "O que dificulta são a falta de testemunhas e de imagens, mas a polícia busca meios de inteligência para identificação dos autores. Os resultados não são imediatos", disse Segantini.

Segundo o delegado do Deinter, Kleber Altaler, em 2014, dos oito latrocínios registrados, sete foram esclarecidos, com a prisão de 13 bandidos. "Conseguimos resolver os casos do ano passado. Latrocínio é sempre preocupante para uma cidade, mas os números deste ano não são tão alarmantes. O latrocínio é preocupante porque os bandidos saem para roubar e não para tentarem contra a vida das pessoas (matar). Mas acaba ocorrendo uma falha. Ou a vítima reage ou o criminoso está drogado e reage de uma forma bruta", comentou Altaler, que pede para a vítima não reagir e confiar no trabalho da polícia.

Morte de empresário amplia medo em bairro

A morte do empresário Marcos Onofri Júnior ampliou o medo entre moradores e comerciantes, especialmente da Avenida Baden Puel, no Jardim Nova Europa, onde ocorreu o crime.

Na via existem mais comércios do que moradias, porém todos são unânimes ao dizerem que no bairro existem muitos assalto. "Acredito que ocorre muito assalto porque os acessos da via facilitam a fuga dos criminosos. Ate então não tinha ocorrido mortes. Agora da medo de morar por aqui", disse o universitário Caio Silva, 22 anos, que mora com os avôs idosos e garante que a partir de agora vai tomar mais cuidado quando chegar em casa a noite.

O crime foi por volta das 19h15. Muitos dos estabelecimentos já tinham fechado. Silva disse que estava no interior da casa com os avôs quando ouviu três tiros. “Quando sai na rua, o rapaz estava caído”.

Segundo a vizinhança, na hora do crime o bairro estava sem energia por conta de duas quedas rápidas. “Estava meio escuro. Não foi execução porque o Marcos era tranquilo", disse o comerciante Josué Rodrigues, 33 anos, que foi um dos primeiros que chegou no local após os disparos.

Os conhecidos da vítima acreditam em tentativa de assalto, já que a vítima não tinha inimigos.

Pouco antes do crime, testemunhas teriam visto o carro dos criminosos parado na esquina. Porém, ninguém testemunhou a ação na vizinhança. “A sensação é de medo e insegurança agora. Apesar da rua ser movimentada, o perigo existe e temos que ter cuidado redobrado”, comentou um morador que não quis ser identificado.

Onofri Júnior foi morto com dois tiros na cabeça - um na fonte e outro na nuca que saiu em dos olhos – quando foi pegar uma toalha para o filho de 3 anos no carro da família, um Jetta, que estava estacionado na rua ao lado da academia de natação, A criança estava na aula.

Uma testemunha relatou para a polícia que estava na janela do primeiro andar da academia quando viu a vítima encostando no Jetta e em seguida um Gol com três homens no interior, emparelhar. Um dos bandidos teria descido do carro e ido ao encontro do empresário e disparado.

O Gol foi achado a algumas quadras do local do crime, com uma luva presa na maçaneta interna da porta direita. O carro foi roubado no dia anterior em Hortolândia. (AR/ANN)

Enterro é marcado por dor e comoção

Comoção e tristeza marcaram o enterro do empresário Marcos Onofri Júnior ontem à tarde, no Cemitério das Aléias, em Campinas. Vários amigos, clientes e parentes participaram do velório.

Familiares e amigos descartam a possibilidade de execução do jovem e acreditam em latrocínio. Segundo a irmã, a técnica em enfermagem Renata Gama Onofri, o empresário estava com o filho na academia e depois de algum tempo foi pegar a toalha no carro. Ele levava nas mãos a chupeta e o sapato do menino. Segundo ela, testemunhas teriam visto o Gol com três homens no interior emparelhar com o carro do irmão e um deles desceu. O empresário abria o carro e se virou rápido. "Acho que o bandido se assustou e atirou sem anunciar o assalto. Com certeza o alvo era o carro. Meu irmão era uma pessoa do bem, honesta e muito trabalhadora", disse.

Onofri trabalhava no ramo de informática há anos, segundo amigos. O sócio da vítima, Wesley Alves, também descarta execução e frisou que o amigo era tranquilo e não tinha inimizades. "Ele conversa com os clientes, tinha bom relacionamento e nunca teve problemas com funcionários. É assalto sim". (AR/ANN)

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Alenita de Jesus