Publicado 02 de Junho de 2015 - 19h38

Por Renata Pioli

FOTOS FEITAS PELA CAMILA DIA 02/06

Renata Rondini

Da Agência Anhanguera

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Bicampeão olímpico (92 e 2004), com uma passagem de 18 anos pela seleção brasileira, o ex-levantador Maurício acredita que o Brasil possa faturar mais um ouro no vôlei na Olimpíada do Rio no próximo ano. Contudo, alerta que atualmente não tem adversário fraco. “No vôlei não tem mais bobo. Hoje em dia não tem mais esta de ganhar no nome e o Brasil sabe disso, tem que fazer em quadra valer esta força”, disse. Nesta entrevista exclusiva ao Correio Popular, Maurício, que é o embaixador do Vôlei Brasil Kirin, comenta também sobre a pressão que as equipes masculina e feminina sofrerão por jogar dentro de casa, a possibilidade do fim do ciclo dos técnicos Bernadinho e José Roberto Guimarães e, como a conquista do ouro de 92 teve um sabor especial.

Correio Popular - Na sua opinião, Bernardinho está com o time pronto para a Olimpíada do Rio ou a Liga Mundial ainda é um teste?

Maurício - Ele já tem o time na cabeça. A base é o time que vem jogando estes anos todos, a base é a que jogou a última Olimpíada, sem o Dante. O Lucarelli estava com o grupo lá e ganhou a experiência. A Liga Mundial é o fechamento para tirar as últimas dúvidas, que creio que são poucas.

Você acredita que o time masculino possa fazer uma campanha melhor do que foi em Londres e o feminino tem chances de defender o título olímpico?

As minhas expectativas são as melhores possíveis. Não só por ser brasileiro, nada disso. Mas por conviver e saber que estes times são capazes de vencer e chegar às finais e serem campeões olímpicos. Se vai ganhar ou perder, garantir o objetivo, será consequência de vários fatores, mas são times fortes e com boas chances sim.

O fato de disputar uma Olimpíada no Brasil é algo positivo ou negativo por conta de pressão?

A pressão de jogar em casa pode atrapalhar, mas depende de como a equipe vai encarar. A equipe tem que ser madura e experiente para encarar tudo isto que virá pela frente. O feminino buscando o bicampeonato e o masculino tentar de novo este título olímpico. Com o Brasil mesmo atuando fora, a população sempre espera um resultado positivo e jogando aqui dentro será esta cobrança ainda maior. Por isto, os atletas terão que estar psicologicamente muito fortes para suportar a situação.

O assédio da torcida pode atrapalhar?

Eles vão ter que tomar muito cuidado com o ‘oba-oba’ que vai existir aqui dentro do País, com a mídia, torcida, família. É uma preparação que está sendo feita desde agora. Até por isto o Zé Roberto tem optado por fazer vários amistosos dentro do País porque ele afirma que a seleção tem que acostumar a jogar com a torcida brasileira e o feminino joga pouco dentro de casa. O time precisa acostumar com os elogios e as críticas.

Na sua opinião, Bernardinho e José Roberto Guimarães realmente encerram o ciclo no comando das seleções após Rio-2016?

Acredito que esta Olimpíada fecha o ciclo Bernardinho e Zé Roberto nas seleções. Se é a hora só eles sabem dizer, mas acho que eles não vão querer mais um ciclo até 2020 porque é muito desgastante. Trabalhei com os dois e afirmo são dois técnicos muito competentes, trabalhadores e comprometidos com o que se propõem a fazer. Acredito que a única diferença é a forma como comandar uma equipe. O Zé Roberto apesar de apresentar ser mais contido tem seus momentos Bernardinho e o Bernardinho com aquele jeito bravo, mais arredio, porém os atletas não fazem a imagem que o público tem dele. Quem está em quadra sabe que aquele é o jeito dele no dia a dia.

Você se sentiu enganado com o escândalo de irregularidades na Confederação Brasileira de Vôlei?

Fomos enganados. O sentimento de nós atletas é de tristeza. Confiávamos nos gestores e por isto temos um sentimento de traição. Foi uma grande mancha na CBV, uma vez que o vôlei nacional era visto como uma boa administração, exemplo de gestão e se descobriu todos os problemas, desvio de verbas, etc. Não tenho dúvida em dizer que o vôlei sem apoio do Banco do Brasil (patrocinador da CBV desde 1991 e fundamental no planejamento das seleções) não seria a potência que é hoje. Ele saindo é um grande vácuo. E a posição da instituição de só continuar com a CBV quando as coisas tivessem certas, mostra a sua postura correta. Se o Banco do Brasil está de volta, vai ter uma cartilha de conduta, as finanças terão que estar em ordem, nós dá um pouco de segurança.

As duas medalhas de ouro (92 e 2004) têm o mesmo gosto para você?

Não vai existir mais o que aconteceu em 92. Nós fomos uma grande surpresa, ninguém esperava por aquela medalha. O Brasil passava por um momento difícil político e econômico, a população se voltou para nós. Nós trouxemos uma grande alegria. Quando a gente chegou foi uma coisa monstruosa de assédio de mídia, de fãs e nesta proporção não voltará a ocorrer. Afirmo isto porque participei das duas medalhas olímpicas e em 2004 no retorno não foi nem um décimo do que havia acontecido em 92. Vivenciei os dois lados da moeda, o Brasil no ápice e perdendo campeonatos. Em 92 foi um grande feito mundial e surpreendente. Em 2004, era uma situação diferente, na qual o time já vinha ganhando tudo e chegou na Olimpíada e confirmou o seu favoritismo. Foi uma conquista ainda mais madura. As próximas medalhas que virão serão para confirmar que o Brasil é o melhor time, confirmar sua força, uma obrigação, muito diferente do que foi em 92.

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Renata Pioli