Publicado 01 de Junho de 2015 - 19h58

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: César

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANANGUERA

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O primeiro dia de greve dos servidores municipais de Campinas foi marcado por tensão na manhã de ontem no Paço Municipal. Todos os acessos da Prefeitura foram bloqueados por grevistas com faixas e os servidores e contribuintes impedidos de entrarem. Foi preciso intervenção judicial para que as entradas fossem liberadas. A greve também afetou principalmente a área da Educação, com 18 unidades totalmente fechadas e 100 parcialmente. A greve continua nesta terça-feira após decisão da categoria. Os servidores reivindicam reajuste salarial de 18,6%, mas o governo municipal propôs em negociação na semana passada 7,13% de reposição e 10% no vale alimentação.

Por volta das 7h de ontem, a entrada principal pelas escadarias do Palácio dos Jequitibás foi bloqueada pelos servidores, bem como o estacionamento do prédio, na Rua Barreto Leme. Contribuintes e servidores que chegavam para trabalhar se aglomeraram por um tempo na frente da Prefeitura e depois foram embora. A Administração conseguiu na Justiça liminar e por volta das 12h30 e as entradas liberadas às 14h30. A liminar foi concedida pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Wagner Gidaro, que determinou pena de multa diária de R$ 10 mil caso os acessos não fossem desimpedidos.

Piquete impedindo a entrada de servidores no Paço ocorreu semelhante em 2009, no sétimo dia de greve da categoria. Os grevistas fecharam por quase duas horas todas as entradas do prédio e a Polícia Militar foi chamada para liberar a passagem. Ontem, a Guarda Municipal monitorou a movimentação dos grevistas, mas não houve confronto.

O Secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida, disse que Executivo está aberto ao diálogo e que uma nova reunião deve ser marcada amanhã. Não rompemos com a mesa de negociação, e devemos oficiar o sindicato está terça-feira para uma rodada na quarta”, disse. “Hoje pela manhã fomos surpreendidos (fechamento das entradas). Foi uma postura unilateral, truculenta. Houve até mesmo a contratação de seguranças. Não dissemos em nenhum momento que não dialogaríamos”, criticou Almeida.

A determinação do prefeito Jonas Donizette, segundo o secretário, foi para que as negociações fosse “esgotadas” e evitar que a população fique com os serviços públicos comprometidos. "A nossa proposta é a média dos principais índices inflacionários do país, e 10% no auxílio-alimentação está acima", defendeu.

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público (STMC) defenderam, entretento, que a medida de fechar os acessos ocorreu para tentar “forçar” o governo a retomar a negociação, e que não eram pessoas contratadas, e sim de sindicatos que apoiaram movimento dos servidores e que não foram truculentas como o secretário alega. “O sindicato compreende as necessidades da população e por isso manteve 30% de atendimento de urgência e emergência”, divulgou a categoria no fim da tarde de ontem.

Apesar do Paço ser fechado, não foi grande a presença de servidores nas escadarias da Prefeitura. Somente por volta das 15h30, quando foi realizada a assembléia, uma aglomeração se faz maior nas escadarias. Faixas foram transpassadas de um lado ao outro das escadas, e um cemitério simbolizando a morte dos vereadores que votaram o Projeto de Lei 15/2015 foi montado no gramado. O projeto cria 616 cargos para Agente Comunitário de Saúde, e os profissionais acreditam que irão acumular função de agentes de endemias.

BALANÇO - Balanço divulgado pela Administração no final da tarde de ontem indicou que a Educação foi a área mais afetada pela greve. Das 201 unidades, 18 foram paralisadas totalmente e 100 parcialmente. Nas demais o atendimento seguiu normalmente. Dentre as paralisadas durante toda a segunda-feira está a Emei Pezinhos Descalços, no Jardim Carlos Lourenço, e Emef Luis Chaves, no Santa Rosa.

Na Saúde, das 100 unidades da cidade, oito ficaram parcialmente paralisadas, e nas demais a Administração garante que o atendimento seguiu normalmente. “No Hospital Municipal Dr. Mário Gatti dos 600 funcionários escalados para o período da tarde, somente 20 estiveram ausentes”, informou em nota a Prefeitura. Os centros de Saúde São Vicente e Capivari não realizaram atendimento ontem.

Na Secretaria de Serviços Públicos, um servidor não compareceu ao trabalho; na pasta da Assistência, foram 20 ausentes de um total de 550.

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Adagoberto F. Baptista