Publicado 01 de Junho de 2015 - 18h22

Por Adagoberto F. Baptista

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O usuário do transporte público vai precisar de muita paciência e encontrar outra alternativa para se locomover esta terça-feira em Campinas. A greve dos trabalhadores do transporte público deve paralisar 3,5 mil funcionários e impedir a saída dos ônibus de todas as linhas (verde, azul e vermelha) das garagens. Deflagrada na última sexta-feira, a categoria recusou a proposta inicial das empresas de transporte e promete cruzar os braços nessa manhã. A greve não afeta, porém, os motoristas cooperados que atuam no transporte coletivo, como os condutores de micro-ônibus.

De acordo com o presidente do sindicato Matusalém de Lima, a greve foi deflagrada após as empresas apresentarem reajuste salarial de 7,21%, valor abaixo da inflação (8,34%). A categoria reivindica ajuste salarial entre 9% e 10%, comissão de viagem de R$ 300 para R$ 400, melhoria do convênio médico, aumento de 15% no ticket alimentação, aumento de 17% na participação nos lucros, melhoria na cesta básica e prêmio por tempo de serviço (PPS).

Sobre a comissão de viagem (R$ 300) o presidente do sindicato informou que esse benefício foi um acordo entre trabalhadores e empresas, após os motoristas também assumirem a função dos cobradores, eliminados das linhas no início do ano.

“A greve é um instrumento que ninguém quer usar, mas é nosso último recurso. Contamos com a compreensão do usuário, que são trabalhadores como nós, e sabem o que o motorista passa” afirmou Matusalém Lima. O presidente informou que a categoria negocia desde abril, mas que até o momento nenhuma proposta não agradaram os trabalhadores. Esta terça-feira a paralisação em Campinas deverá ter o apoio de sindicalistas de São Paulo, Sorocaba e Jundiaí.

“Queremos esses benefícios retroativos a maio. O motorista que trabalha sozinho tem direito a comissão de viagem”, frisou o presidente.Ontem pela manhã, diretoria, delegados sindicais e militantes definiam as estratégias de paralisação.

Através da assessoria de imprensa, a Transurc (Associação das Empresas em Transporte Coletivo de Campinas) informou que o Sindicato das Empresas de Transporte da Região Metropolitano de Campinas (Setcamp) está em negociação permanente com a categoria e que trabalha para impedir a greve. “Ainda é cedo para falar em greve”, disse no começo da tarde de ontem o diretor de Comunicação da Transurc, Paulo Barddal.

Entretanto, até às 18h não havia qualquer rodada de negociação ou proposta apresentada pelo sindicato patronal e a greve ficou mantida para a partir das 0h desta terça-feira.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) irá monitorar o transporte coletivo municipal (Sistema InterCamp) e adotará todas as medidas possíveis para evitar transtornos à população.

DINHEIRO DE VOLTA - Os ônibus do transporte público não disponibilizam mais o bilhete de uma viagem (R$ 3,50 da tarifa e R$ 2,00 do casco). Agora, ou usa-se o Bilhete Único que pode ser carregado sem limites de passagens, ou Bilhete 2 Viagens (R$ 7,00 duas tarifas mais R$ 2,00 o caso) ou paga diretamente para o motorista o valor de R$ 3,50. Com isso, o dinheiro volta a circular no transporte.

O diretor de Comunicação da Transurc, Paulo Barddal, explica que a volta da possibilidade de se pagar diretamente para quem dirige o veículo vem após alguns objetivos alcançados. O número de pessoas usando o Bilhete único passou de 70% para mais de 98,5%. Dados da Transurc também mostram que houve uma diminuição no número de roubos. “Também teremos uma vantagem (em não comercializar o Bilhete 1 Viagem), pois não teremos mais o custo com o cartão, que custava R$ 3,00 e era cobrado da população R$ 2,00”, disse Barddal. Os R$ 2,00 cobrados pelo cartão ainda podem ser reembolsados nos postos da Transurc.

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Adagoberto F. Baptista