Publicado 01 de Junho de 2015 - 17h51

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O Sistema Cantareira entra no período mais seco da estiagem ainda no vermelho, operando dentro da primeira cota do volume morto e devendo 105 bilhões de litros para pagar a conta do empréstimo que começou a ser feito há um ano, quando bombas passaram a retirar a água abaixo da cota do volume útil. As chuvas do Verão, especialmente em fevereiro e março, não conseguiram repor o empréstimo. A situação é pior que a registrada há um ano, quando já operava o volume morto. Em 1 de junho de 2014, o sistema operava com 24,8% da capacidade – ontem, embora as chuvas tenham elevado em 0,2 ponto percentual o nível de água armazenado em relação a domingo, os reservatórios operaram em 19,8%. Somente quando chegar a 29,2%, a conta do uso do volume morto terá sido paga.

As perspectivas para os próximos meses não são boas, quando tradicionalmente o regime de chuvas entra em período de estiagem. As novas regras operativas definidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) e que começaram a vigir ontem, definiram o volume máximo de descarga dos reservatórios para a região de Campinas em 3,5 m3/s até novembro. Para o Consórcio PCJ, o volume autorizado será insuficiente para a região atravessar o pico da estiagem que se dará entre os meses de julho e agosto e a região terá que se preparar para enfrentar problemas de abastecimento tanto pela queda na qualidade da água, por conta da baixa vazão dos rios, quando pela quantidade.

Entre domingo e ontem, choveu 9,7 mm nos reservatórios. Embora maio tenha recebido um volume de chuva próximo da média, não foi suficiente para evitar um déficit hídrico. Ou seja, a quantidade de água que entrou no sistema, tanto por chuvas,quanto por afluência de rios, foi menor do que a quantidade consumida.

Se o Sistema Cantareira receber a média de chuva esperada, irá sair do volume morto em janeiro de 2016, voltando à cota zero. A previsão está no relatório de 27 de maio do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Se as chuvas ficarem 25% abaixo da média, em 1º de dezembro o sistema terá recuperado apenas um terço do 1º volume morto. Se ficarem 25% acima da média histórica, o primeiro volume morto será recuperado no final de novembro.

Se as chuvas ficarem 50% abaixo da média, previsão mais pessimista, o Cantareira voltaria a usar o segundo volume morto em dezembro. Mas se a precipitação superar a média em 50%, análise mais otimista, o sistema recuperaria o volume morto e sairia do negativo em outubro.

O volume útil do Sistema Cantareira (982 bilhões de litros) se esgotou no dia 11 de julho de 2014. No dia 24 de outubro de 2014 um volume adicional de 105,0 hm3 , do chamado volume morto 2, tornou-se utilizável e começou a ser usado em 15 de novembro de 2014, quando a primeira cota de esgotou.

As chuvas de maio, que tiveram a maior quantidade desde maio de 2005, quando choveu 142 milímetros, não foram suficientes para melhorar a situação – no mês, os reservatórios registraram 74,4 milímetros de chuva, abaixo da média esperada do mês, de 78,3 mm. Com isso, os reservatórios perderam mais água do que receberam, e o volume armazenado caiu. “As chuvas desse final de maio e início de junho não devem servir para tranquilizar, porque entramos agora no mês em que tradicionalmente as chuvas param de cair”, disse o meteorologista Carlos Nobre de Albuquerque.

RETRANCA

No primeiro dia de vigência das novas regras de operação do Sistema Cantareira, que definiu pela redução de retiradas de água dos reservatórios, os mananciais das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiai (PCJ) tiveram um corte drástico de descarga do sistema. Apenas 0,90 metros cúbicos por segundo (m3/s), ou seja, apenas 900 litros foram descarregados ontem nos rios Jaguari e Atibaia – foi como se 450 garrafas pet de dois litros estivessem sendo despejadas por segundo nesses mananciais. Essa quantidade de água representa 74,2% menos do que as Bacias PCJ tem direito (3,5 m3/s) dentro das novas regras definidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

Essa redução não afetou o abastecimento das cidades que dependem dos rios Jaguari e Atibaia porque as chuvas do final de semana na calha principal desses mananciais e de seus afluentes, conseguiu garantir a vazão necessária. No Rio Atibaia, responsável pelo abastecimento de 95% de Campinas, a vazão subiu para 12,8 m3/s na região onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) faz a captação. Mas a situação não é de tranquilidade, porque as cidades começam junho com um volume de água armazenado no Cantareira bem menor do que havia há um ano, e ainda operando na primeira cota do volume morto.

A redução visa armazenar maiores volumes de água nos reservatórios e dar condições de enfrentar o período mais severo de estiagem que tem início neste mês. As Bacias PCJ estão autorizadas a receber até 3,5 m3/s até novembro e a Grande São Paulo poderá contar com 13,5 m3/s até 31 de agosto e a partir de setembro até 30 de novembro, 13,5 m3/s. O valor para a Grande São Paulo inclui a descarga pelo túnel 5 do chamando Sistema Equivalente, e mais o volume que fica armazenado na represa Paiva Castro.

ELEMENTO

Cantareira – 19,8%

Rio Atibaia – 12,8 m3/s

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Maria Teresa Costa