Publicado 28 de Junho de 2015 - 19h38

Por Paulo Santana

O Estádio Romildão ficou praticamente vazio na partida de sábado à tarde em que o Mogi Mirim foi derrotado pelo CRB por 1 a 0

Janaína Ribeiro/ Especial a AAN

O Estádio Romildão ficou praticamente vazio na partida de sábado à tarde em que o Mogi Mirim foi derrotado pelo CRB por 1 a 0

Na briga declarada de Rivaldo com a torcida, quem paga o preço é o Mogi Mirim. Em último lugar na Série B do Campeonato Brasileiro com apenas três pontos, o Sapão apresentou mais um triste capítulo de sua trajetória rumo à Série C de 2016. Jogando em casa contra o CRB, neste sábado (27), perdeu por 1 a 0 pela 6ª vez em nove rodadas — ainda não venceu — com as arquibancadas absolutamente vazias.

É que, por causa das críticas contra o time, o pentacampeão mundial, que é o dono do clube, decidiu inflacionar o preço do ingresso. Em vez de R$ 20,00, que era o preço médio, elevou para R$ 100,00 e, literalmente, espantou a torcida. “Quem gosta do Mogi, como eu, vai pagar”, dizia Rivaldo, antes do jogo que terminou 1 a 0 para os visitantes.

244 pessoas

Mas o que se viu foi exatamente o contrário. O borderô indicou que 244 pessoas pagaram ingressos, mas, na real, quase ninguém deixou dinheiro na bilheteria. Isso porque quatro patrocinadores receberam ingressos para distribuir a seus fornecedores e funcionários, 15 pessoas estavam torcendo pelo CRB e havia muitos parentes de atletas nas sociais, que certamente também não pagaram nada.

“Eu peguei 50 e dei para o pessoal da firma ver o jogo. Se soubesse que o preço seria tão alto, teria vindo aqui para vender mais barato”, comentou, em tom de brincadeira, o diretor de um dos parceiros do clube que pediu para não revelar o nome de sua empresa.

20 pagantes

Segundo informações colhidas pela reportagem nas bilheterias, cerca de 20 pessoas se dispuseram a comprar ingresso. “Sou torcedor do Mogi e acho que o sacrifício vale a pena. Estou fazendo a minha parte, mas acho que o Rivaldo deveria rever sua posição. Nem todos podem pagar este valor e o clube precisa da torcida”, disse o supervisor de RH Claudinei de Freitas Garcia.

Mas nem todos pensavam como ele. “Com esse dinheiro, prefiro comprar picanha e um fardo de cerveja para fazer churrasco em casa”, comentou o torcedor Gustavo Lissoni, que se assustou com o preço assim que se aproximou da bilheteria. “Como jogador, o Rivaldo foi um craque. Como administrador, prefiro nem comentar. Vou par casa e ficarei ouvindo pelo rádio”, disse.

Os integrantes da torcida organizada Mancha Vermelha foram ao estádio com o desejo de protestar. “Aonde já se viu um preço desse? Aqui é Mogi Mirim e não uma arena de Copa do Mundo”, reclamou o estudante Danilo Vítor. “Se tivesse R$ 100, eu preferia gastar no Itatinga (bairro de Campinas) do que entregar para o Rivaldo fazer graça”, endossou Anaílson de Oliveira, que é diretor da organizada. Pouco depois das declarações, os jovens receberam ingressos gratuitos e puderam acompanhar a partida.

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Paulo Santana