Publicado 02 de Junho de 2015 - 19h12

Por Carlos Rodrigues

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Carlos Souza Ramos/AAN

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Obter resultados imediatos e controlar um ambiente recheado de pressão e cercado de cobranças por todos os lados. Esta é a desafiadora missão de Paulo Roberto Santos, apresentado nesta terça-feira (2), como novo técnico do Guarani. Experiente e com passagens por diversos clubes do interior paulista - a última no São Bento durante o Campeonato Paulista -, o treinador de 56 anos assume após um péssimo início do clube na Série C do Campeonato Brasileiro, onde o Bugre somou apenas dois pontos em três rodadas e ocupa a 8ª posição de seu grupo.

Antes de seu primeiro compromisso pela equipe, marcado para o próximo sábado (6), diante do Juventude, em Caxias do Sul, Paulo Roberto terá poucos dias para se familiarizar com o clube. Mesmo assim, sabe que o nível de exigência será alto logo na estreia. "No futebol não tem jeito, o resultado vem em primeiro lugar. Vamos ter dois dias e meio de trabalho e tentar, com esse pouco tempo, tirar o máximo do grupo" , disse o comandante. "Não existe futebol sem pressão. Só o trabalho e resultados vão melhorar o clima".

Blindar o grupo dos problemas também fará parte das atribuições do treinador. Apesar de saber o quanto isso pode interferir, ele quer evitar que as dificuldades do clube afetem o rendimento. "Não é fácil separar os problemas extra-campo do campo, mas temos que nos preocupar daqui pra frente com trabalho lá dentro. Temos problemas pelo começo não ser como todos desejavam, mas vamos trabalhar para resolver" , explica. "Vejo grandes possibilidades da equipe apresentar um bom futebol e atingir os resultados" , completa.

Paulo Roberto reconheceu que não conhece o elenco em sua totalidade. Por isso, primeiro quer acompanhar o time nas atividades dessa semana e ver o que tem em mãos na partida de sábado. Depois, definir as prioridades no que diz respeito à possíveis reforços. "Quero observar os atletas. Não dá para tirar conclusões precipitadas. O momento não é fácil para contratar, mas onde houver necessidade, vamos procurar reforçar".

Mesmo ciente das limitações financeiras do Guarani, o técnico já dá o recado de que não abre mão de qualificar a equipe onde achar que for preciso. "O treinador que é contratado num momento não muito satisfatório da equipe e que não tiver poder de decisão, é melhor nem ser contratado. Não vim aqui para que as coisas continuem acontecendo da mesma forma. Dentro das possibilidades financeiras, as necessidades da equipe terão que ser atendidas" , avisa Paulo Roberto.

ANDRINO DEIXA O CLUBE

Enquanto confirmava a chegada de Paulo Roberto Santos para dirigir a equipe, o Guarani anunciou nesta terça o desligamento de outra peça na engrenagem do futebol do clube. Depois de muitas cobranças após o fracasso na Série A2 e pela montagem do time, o superintendente de futebol Lucas Andrino deixou o cargo. Incomodado como a forma como se desenrolou o processo, o ex-dirigente revelou que lhe foi tirada a autonomia nas decisões e que influências externas seguem prejudicando o Bugre.

O processo de "fritura" de Andrino começou para valer após a confirmação de que o time não conseguiria o acesso para a elite do Campeonato Paulista. De lá para cá, foi deixado de lado nas principais decisões tomadas, inclusive a escolha do novo treinador. "Saio porque não acredito na forma que o trabalho está sendo conduzido. Entendo que eu precisava de um pouco mais de autonomia, algo que não vinha tendo, principalmente depois do Paulista" , disse. "Erros sempre vão acontecer, mas podem ter certeza que honestidade, trabalho e dedicação ao clube não faltaram" .

A pressão recebida pela diretoria do clube por parte de pessoas que não possuem cargo no Guarani e que, segundo Andrino, interferem no dia a dia, também foi lembrada. "Existem pessoas que querem se servir do Guarani, e eu vim para servir o Guarani. No dia em que o Guarani tirar esses abutres de perto, com certeza vai poder navegar em águas mais calmas. O mal do Guarani são alguns que o rodeia" .

Em relação ao seu trabalho à frente do futebol bugrino, Lucas Andrino fez uma avaliação positiva. "Avalio meu trabalho de regular para bom. Ficamos sem o acesso por uma vitória. É muito pouco. Se tivéssemos vencido o Velo Clube, talvez eu não estaria saindo. Faltou muito pouco pra alguém dizer que foi um trabalho ruim" , concluiu.

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Carlos Rodrigues