Publicado 01 de Junho de 2015 - 12h53

Por Suzamara Santos

Em São Paulo, câmara aprova a proibição de foie gras em restaurantes: iguaria é perfeita para o vinho de Sauternes

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Em São Paulo, câmara aprova a proibição de foie gras em restaurantes: iguaria é perfeita para o vinho de Sauternes

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Em São Paulo, câmara aprova a proibição de foie gras em restaurantes: iguaria é perfeita para o vinho de Sauternes

Em São Paulo, câmara aprova a proibição de foie gras em restaurantes: iguaria é perfeita para o vinho de Sauternes

Querido leitor, antes começar as tertúlias de hoje, tenho umas perguntinhas. Você gosta de foie gras? Quantas vezes você come por semana/mês/ano? Conhece muita gente que aprecia regularmente essa iguaria? Quantos produtores brasileiros de foie gras você conhece? Fiz essas reflexões comigo mesma quando vi que a Câmara de São Paulo aprovou uma lei que proíbe a venda de foie gras em restaurantes paulistanos. A coisa está nas mãos do prefeito Fernando Haddad. A resposta mais relevante que me ocorreu é que não há combinação melhor com o vinho de Sauternes, no Sul da França. Mas é um luxo que custa caro (o vinho também não costuma ser barato), o que restringe muito seu consumo. E raras vezes experimento, assim como acontece com a maioria das pessoas do meu círculo.

Então, não consigo vislumbrar qualquer consistência no projeto de lei do vereador Laércio Benko (PHS) que, para o meu completo espanto, leio que, umbandista, é a favor da “imolação” de animais em rituais religiosos. E olha que sou bastante permeável à causa animal, não suporto sequer ver cabeça de peixe na mesa e fico indignada com quaisquer maus-tratos aos bichos. Porém, esse mimimi em torno do foie gras (fígado gordo em francês) não me convence, nem me comove.

Há muitos vídeos em redes sociais mostrando os procedimentos do gavage, que consiste em promover a engorda do fígado do ganso ou pato, por meio de ingestão forçada de alimento (um tubo é colocado goela abaixo da ave). Well, well... Confesso que fiquei mais chocada com a produção industrial de frango. Dia desses, esbarrei num vídeo de uns 12 minutos sobre o assunto e dei “stop” no momento em que as aves, penduradas de cabeça para baixo, aos milhares, eram mergulhadas numa espécie de tanque eletrificado para assim encerrar a sua longa jornada de sofrimento que começa quando o ovo eclode. Mudou o meu jeito de olhar para aquelas bandejas de coxas e peitos nos açougues. E pra mim chega... B.A.S.T.A... Não vou assistir a abate de nenhum bicho mais.

Voltando ao foie gras, tradição gastronômica na França, cuja produção é proibida em 22 países, não há consenso. Em defesa dos procedimentos milenares, há o fato de que gansos e patos são aves migratórias que estocam energia no fígado e são dotadas de estrutura anatômica para engolir peixes inteiros. Além disso, a traqueia seria composta de anéis de cartilagem que expandem o pescoço quando alimentos grandes são introduzidos. Sobre a afirmação de que um fígado gordo seria doente, há a réplica de que entre mamíferos, sim, mas pato não é mamífero e não se pode comparar as fisiologias. Se existem maus produtores (produtores maus, se preferir)?

Existem... Mas, pensando bem, já caiu cisco no meu olho ao ver o sangramento da nossa galinha de cabidela, tadinha... Não como, não. Saúde!

Escrito por:

Suzamara Santos