Publicado 28 de Junho de 2015 - 10h00

Comer e beber

Divulgação

Comer e beber

Foto: Divulgação

“É preciso consciência de que o dono deve estar sempre presente no seu negócio (...). É necessário tratar seu cliente como um rei e se dedicar 24 horas por dia nesse sentido”

“É preciso consciência de que o dono deve estar sempre presente no seu negócio (...). É necessário tratar seu cliente como um rei e se dedicar 24 horas por dia nesse sentido”

Em tempos de crise, há quem se reinvente e quem lamente, apenas. O paulistano Rubens Augusto Júnior faz parte do primeiro time. Em 1984, tempo de PIB baixo e inflação alta, ele se ateve ao apreço pela família (especialmente pelo pai) e começou a vender pizzas num imóvel alugado no bairro do Paraíso, em São Paulo. O hobby virou negócio ousado à época, pois inventou a borda recheada e foi pioneiro em delivery, jargão que nem se usava. Também ganhou as mesas, incorporou opções de pratos ao serviço. Hoje, a Patroni é considerada a maior rede de pizzarias do segmento de franquias: são 192 unidades no Brasil (há endereços na região de Campinas, estratégica à expansão) e faturamento da ordem de R$ 335 milhões, segundo balanço de 2014.

Se o cenário indica recessão adiante, Augusto Júnior, empreendedor nato, vislumbra oportunidades. “Aquele velho ditado de que o olho do dono é que engorda o porco é a mais pura e atual realidade. O principal quesito de aprovação de um franqueado em nossa rede é ter a certeza de que ele próprio estará no comando de sua loja, presente diariamente. Sem isso, não existe negócio que vire sucesso”, observa.

O empresário viajava a negócios quando concedeu esta entrevista, por e-mail. Contou que, há pouco, houve a reformulação da identidade visual da marca, reposicionada como Patroni e alinhada à proposta de ofertar menu mais enxuto, alinhado à vocação artesanal e revigorado, sazonalmente, por insumos e produtos selecionados das parcerias de co-branding (McCain, Hellmann’s e Philadelphia).

“Composto por um mix de pratos apurados e mais simples, para facilitar a decisão final do cliente, (o cardápio) visa o ganho de tempo na hora da compra e a eficiência do atendimento. Tais fatores contribuem diretamente na redução dos custos das lojas e na melhora da qualidade das vendas”. A visão é estratégica, vê-se. E ampliou-se em modelo de negócio. Ao longo da semana passada, durante a ABF Franchising Expo 2015, a rede apresentou ao público uma novidade: a Patroni Expresso, versão mais compacta de loja, ideal para locais com alto fluxo de pessoas.

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Portuguesa Carioca

Portuguesa Carioca

Até ajustar os nós, muitos ventos sopraram. Alguns foram de esmorecer. O livro Em Nome do Pai - A história da maior rede de pizzarias do Brasil, e os ensinamentos do seu criador, Rubens Augusto Júnior, lançado em novembro do ano passado, traz detalhes da empreitada. Cabe aqui pontuar algumas das lições partilhadas por “Don Patroni” (nesse ponto, a alcunha do personagem criado para sacramentar a identidade da marca cai bem a Augusto Júnior).

Franquias e mercado

Em 2003, o empresário relutou para abrir as portas da Patroni ao franchising. Discordava de algumas normas e regras de franqueadores de alimentação na época, pra começo de prosa. “No meu entendimento, ‘exploravam’ demais o franqueado. Segundo, por ter receio de que nossa qualidade de produto se perdesse com a abertura de lojas franqueadas”, pontua. Saída? Criou um modelo que prevê, por exemplo, o estabelecimento de uma tabela de preços mínimos, ajustada conforme a necessidade de precificação local. Já o fornecimento dos produtos passou a ser personalizado e oriundo, exclusivamente, da cozinha central própria.

Se pensarmos em tendências gastronômicas pela perspectiva micro, ou seja, nicho, o que Augusto Júnior vê adiante, numa perspectiva realista? “No Brasil, os gastos com refeições fora do lar representam apenas 30% dos com alimentação. Temos, portanto, um grande espaço para aumento de vendas junto ao público consumidor em nosso segmento, pois cada vez mais pessoas passam a trabalhar e se alimentar fora de casa. Por outro lado, a procura por comidas rápidas tende a aumentar em função do curto espaço de tempo que as pessoas possuem no dia a dia”, vislumbra.

Em nome do pai

A rede cresceu sem se apartar do conceito gestado lá no início, diferencial da marca, segundo o empresário. “O carinho na elaboração de uma pizza verdadeiramente artesanal, massa preparada e aberta na hora na frente do cliente, e assadas em forno a lenha”, defende.

Foi mais ou menos assim que tudo começou. Em 1984, o pai do empresário perdeu o emprego, entrou em depressão e sofreu um enfarte, aos 50 anos. A fim de ajudá-lo, pensou em tornar rentável o hobby de fazer pizzas. “Procurei aprender com as melhores pizzarias de São Paulo. Achava que poderia até melhorar um pouco mais as redondas. Comecei a fazer em casa e degustar com minha família e amigos. E foi o sucesso da experiência que me inspirou a tornar aquilo um negócio”. Alugou um imóvel no Paraíso, em São Paulo, estabeleceu sociedade com dois cunhados e envolveu o pai no negócio. Detalhe: Augusto Júnior era economista e trabalhava na diretoria financeira da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

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Dom Patroni

Dom Patroni

Deixava o paletó de lado e estendia a jornada à noite, na pizzaria. Inovou ao inventar a borda recheada e uma embalagem de fibra de vidro para manter quentinhas as redondas que eram pedidas para viagem. Com a morte do pai e de um dos cunhados, em 1997, veio o momento de ruptura e avanço. “Teria que decidir em continuar seguindo a carreira profissional ou me dedicar ao meu sonho. Decidi sair da Cesp para me dedicar exclusivamente a eles.” Iniciou as primeiras operações em um shopping center, naquele mesmo ano e incorporou ao cardápio novas categorias de produto como massas e carnes. Vieram as franquias. A rede se agigantou.

Conselhos para quem quer chegar lá? “Lutar pelos seus sonhos. Ter garra e uma enorme força de trabalho para atingi-los. Não desistir jamais, mesmo em face das adversidades. Não ‘tencionar’ pelo dinheiro, pois se assim for ele acaba fugindo de você. O dinheiro tem que ser uma consequência de seu bom trabalho e dedicação, ocasião em que virá de forma natural. Trabalhar com muita honestidade e transparência, jamais prejudicando seus semelhantes. Pensar em ajudar a todos e trazer alegria e prazer para as pessoas.”