Publicado 30 de Junho de 2015 - 16h57

Por suportered

DIVULGAÇÃO

Dominique Torquato/AAN

DIVULGAÇÃO

O reverendo irlandês Edward Lane desembarcou em Campinas em 1869. Junto de George Morton, ele veio com a missão de difundir a fé presbiteriana por aqui. Fundou um colégio e, para se manter, inaugurou uma olaria. A empresa construiu, por exemplo, a ponte de tijolos em forma de arco sobre o córrego da atual Orosimbo Maia. O melhoramento urbano, entregue em 1879, impediu que as carroças atolassem no brejo que se formava sempre que chovia - naquele tempo, não havia galerias pluviais.

Quando a cidade era arrasada pela febre amarela, Lane fez a família se mudar para os Estados Unidos. Mas ele ficou. Colocou-se à disposição do governo municipal para ceder tijolos e mão de obra para serviços emergenciais de saneamento. Ele poderia, simplesmente, ter feito as malas e abandonado a cidade, como tanta gente poderosa fez, mas não arredou pé. Disse que trabalharia pela comunidade sofrida e foi um herói. Porém, acabou contraindo a doença e morreu.

Os anos passaram e os parentes do irlandês voltaram a viver no Brasil. Dois netos seus, Eduardo e John Cook Lane, nasceram em São Sebastião do Paraíso (MG). Cresceram, formaram-se médicos e, resgatando o sonho do avô, decidiram morar em Campinas. Há 50 anos, a dupla fundou uma das primeiras clínicas particulares da cidade. A casa, inaugurada em 26 de junho de 1965, tinha o propósito de prestar atendimento integral aos pacientes. Já na época, contava com o que de mais moderno existia em termos de patologia clínica, anatomia patológica e radiologia.

Rapidamente, a clínica tornou-se referência em pesquisa. Montou, por exemplo, a primeira biblioteca médica de Campinas. Naquele tempo, só o Instituto Penido Burnier tinha um acervo bibliográfico importante, mas que se limitava à oftalmologia. Outra inovação foram as reuniões médicas nas manhãs de sábado, abertas a profissionais da região. "Os casos mais complexos eram debatidos à exaustão e a decisão terapêutica, tomada em grupo", conta a diretora clínica atual, Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, de 49 anos. Aquelas eram, seguramente, as mais importantes reuniões médico-científicas da cidade.

Todos os médicos fundadores da Clínica Lane passaram a integrar o corpo docente da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que se instalava na cidade. Ainda hoje, a instituição investe na excelência de seu corpo clínico. "É uma clínica equipada, estruturada. O que mais orgulha, no entanto, é que ela investe na capacitação pessoal", fala a diretora.

Atualmente, a clínica tem 33 especialistas contratados e realiza aproximadamente 400 consultas por dia. As especialidades são as mais diversas: cirurgia, cardiologia, clínica médica, pneumologia, pediatria, gastroenterologia pediátrica, cirurgia plástica, ginecologia e obstetrícia, dermatologia, endocrinologia e endocrinologia pediátrica, oftalmologia, fisiatria, nutrição e neurologia. Diariamente, são aplicadas 70 vacinas e executadas dezenas de exames laboratoriais. Hoje, em seu arquivo, a Lane mantém 280 mil prontuários. E a diretora frisa: há funcionários de apoio com quase 40 anos de casa.

Hospital modelo

Um dos fundadores da clínica segue saudável, falante, otimista. John Cook Lane, de respeitáveis 87 anos de idade, fala que a clínica foi estratégica para uma outra conquista importante da cidade. Um dos pacientes era Wolfgang Sauer, diretor da Bosch, e o próprio executivo pediu a John sugestões de projetos que podiam ser beneficiados por investimentos sociais da empresa.

Pois o médico correu a região e conseguiu de um fazendeiro a doação dos 70 mil metros quadrados de terra onde, em 1973, foi inaugurado o Centro Médico de Campinas. A empresa ergueu as paredes e equipou as repartições. Por tabela, o empreendimento incentivou a ocupação de uma região que se transformou numa das mais valorizadas da cidade.

Escrito por:

suportered