Publicado 28 de Junho de 2015 - 9h00

Por Rogério Verzignasse

Igreja do Rosário

César Rodrigues/ AAN

Igreja do Rosário

Foto: César Rodrigues/ AAN

Fachada do templo atual em louvor a Nossa Senhora do Rosário

Fachada do templo atual em louvor a Nossa Senhora do Rosário

A primeira igreja campineira em louvor a Nossa Senhora do Rosário foi construída no Centro, em 1817. Como as pessoas costumavam se reunir ao redor do templo, o lugar ficou conhecido como Pátio do Rosário. A praça tinha festas, cavalhadas, solenidades, feiras. Até 1887, quando recebeu o nome oficial de Praça Visconde de Indaiatuba (um dos fundadores do Colégio Culto à Ciência), o largo passou por muitas reformas. Ganhou árvores, bancos, monumentos, chafariz e pedras portuguesas. Em 1890, os missionários claretianos assumiram a administração do templo.

Foto: César Rodrigues/ AAN

Padre Damião no lançamento da pedra fundamental

Padre Damião no lançamento da pedra fundamental

Ao longo dos anos, o prédio, que não tinha linhas arquitetônicas definidas, sofreu inúmeras modificações – as torres foram erguidas, demolidas e substituídas. Mesmo assim, a fachada sempre ostentou elegância. Todas as intervenções eram bancadas por doações feitas por gente endinheirada; esmolas e loterias também levantavam dinheiro, segundo cronistas da época.

Foto: César Rodrigues/ AAN

Altar lateral levado do prédio no Centro

Altar lateral levado do prédio no Centro

Nossa Senhora do Rosário era cultuada por pessoas de todas as raças e classes. Representantes da comunidade negra, por exemplo, usavam o largo e a escada da igreja para manifestações religiosas e profanas. Havia congadas, batuques e cerimônias. Em 1956, porém, chegou a notícia triste. O projeto urbanístico de modernização do Centro previa o alargamento da então Rua do Rosário e exigia a demolição do templo. Os católicos protestaram indignados contra o desrespeito ao patrimônio histórico e arquitetônico.

A historiadora Maria Lucia Rangel Ricci, na revista Sarao, do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembra que o então Departamento de Obras e Viação da Prefeitura de Campinas emitiu um laudo técnico informando que os forros estavam condenados. O madeiramento havia sido atacado por cupins e trincas comprometiam a estabilidade dos arcos da cúpula central. A demolição, enfim, era inevitável.

Os claretianos, bravos, até falaram em deixar a cidade. No entanto, naquele mesmo ano, a comunidade decidiu erguer uma nova sede em terreno pertencente à congregação, no Jardim Chapadão. Anotações do saudoso cônego Carlos Menegazzi contam que a iniciativa foi aprovada imediatamente pela cúpula da Igreja. A ornamentação em estilo neo-românico salientaria as envasaduras com arco pleno. O altar principal e os laterais do velho templo foram instalados no novo.

A construção foi assumida pelo padre Damião Ormaeche, basco teimoso, de fibra. No dia 7 de outubro de 1965, foi lançada a pedra fundamental do novo templo. Vinte e um dias depois, o arcebispo dom Paulo de Tarso Campos assinava o decreto que transformava a comunidade em paróquia. Em março de 1966, durante as festividades de São José, foi nomeado o primeiro pároco, o padre Artidório Aniceto de Lima. O impressionante é que a igreja levou 33 anos para ser inaugurada. Cada centavinho foi muito suado. E o episódio mais comovente da festa, em outubro de 1989, foi o descerrar da placa comemorativa do fim das obras, feito pelo padre Damião, velhinho e orgulhoso.

Foto: César Rodrigues/ AAN

Fernando Garavaglia, pároco: plano de lançar um livro

Fernando Garavaglia, pároco: plano de lançar um livro

Ao longo da história, passaram por ali padres inesquecíveis. A lista é imensa: Conrado Sívila, Luis Pessini, Elias Leite, Geraldo Jarussi, José Weber Caldeira, José Alem, Julio César Miranda, Francisco Rodrigues da Silva, Oswair Chiozini, Denílson Ansarello, Eugênio Pessato, Irio Rissi, Vitor Calixto dos Santos... Hoje, o pároco é Fernando Garavaglia, que tem 53 anos e está há 11 no cargo. Ele pretende lançar um livro, no cinquentenário da igreja, com imagens do templo e explicações sobre o que cada ornamento representa na história dos missionários claretianos em Campinas.

A data do jubileu de ouro é 28 de outubro. Mas, os eventos comemorativos começaram já com as festas juninas e vão se estender até o dia especial, com a celebração de uma missa. E sobram motivos para a alegria. A paróquia sempre ostentou o honroso título de comunidade vocacional, acolhendo seminaristas em diversas fases de formação. A ação social também é marcante. Além disso, moderna, ela foi pioneira ao lançar uma pastoral destinada a casais separados ou em segunda união. O Rosário é orgulho para todas as gerações. 

SAIBA MAIS

A sede da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário fica na Avenida Francisco José de Camargo Andrade, 535, Jardim Chapadão. O telefone é (19) 3241-8046.

 

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Rogério Verzignasse