Publicado 30 de Junho de 2015 - 5h30

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, avaliou ontem que o referendo que foi convocado para o próximo domingo é um meio para que a Grécia tenha “melhores armas nas negociações” com os credores.“O referendo deve dar ânimo às negociações. Nosso objetivo é que nos permita contar com melhores armas nas mesmas”, declarou o primeiro-ministro em uma entrevista com o canal de televisão estatal ERT.Implicitamente, confirmou que o pagamento de 1,5 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), previsto para hoje, não será efetuado.“É possível que os credores esperem o pagamento ao FMI quando impõem a asfixia aos bancos?”, questionou o primeiro-ministro grego, acrescentando: “quando decidirem deixar de asfixiá-los, eles serão pagos”.Tsipras disse que não quer ser primeiro-ministro a qualquer preço, sem declarar qual será sua atitude em caso de vitória do “sim” no referendo do próximo domingo.“Não sou um primeiro-ministro que continua no cargo faça chuva ou faça sol”, respondeu à pergunta sobre uma eventual renúncia. Ele garantiu, contudo, que respeitará a decisão tomada pelos gregos na consulta. Rebaixamento

A agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou ontem a nota da Grécia a “CCC-” , ao avaliar que a decisão de Atenas de convocar um referendo para decidir se aceitam o plano de resgate dos credores é um mau sinal para a “estabilidade econômica” do país.“A decisão da Grécia de convocar um referendo sobre o plano dos credores é um sinal adicional de que o governo de (Alexis) Tsipras privilegiará a política interna em detrimento da estabilidade econômica e financeira e do pagamento da dívida”, afirmou a agência em um comunicado. O governo grego convocou no sábado um referendo para 5 de julho sobre o plano de ajuda internacional, provocando a ruptura das negociações com os credores do país.A S&P estima em 50% o risco de que a Grécia saia da Eurozona e diz que “sem uma evolução favorável da situação” o país inevitavelmente entrará em moratória da dívida do setor privado em seis meses. Relegado a “CCC-”, a classificação da Grécia está a apenas a alguns passos da moratória de pagamento geral. A S&P acompanhou a nova nota de uma perspectiva negativa, e acrescentou que rebaixaria o país novamente nos “próximos seis meses” em caso, por exemplo, de não serem cumpridos os prazos de pagamento aos credores privados. Desse modo, a nota seria “SD” (default seletivo), afirma a agência de classificação. (Da France Press)