Publicado 30 de Junho de 2015 - 5h30

A presidente Dilma Rousseff, antecipou ontem a um grupo de investidores em Nova York que o Brasil se prepara para uma nova fase de crescimento e os chamou a participar de um grande plano de obras de infraestrutura. “Estamos em uma fase de construção das bases para um novo ciclo de expansão da economia brasileira”, afirmou Dilma, no encerramento do Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil. “Faz parte dessa estratégia a adoção de medidas de controle da inflação e equilíbrio fiscal, bem como medidas de incentivo ao investimento e aumento da produtividade”, acrescentou.A presidente ressaltou que a recuperação do crescimento sustentável depende do aumento mais rápido e consistente da produtividade. Vários ministros participaram do seminário, que foi coordenado pelo presidente da BlackRock, firma de investimentos com maior volume de ativos no mundo, Laurence Fink. “Esperamos estimular o empresariado internacional a aproveitar as oportunidades de negócios e investimentos que surgem no Brasil, especialmente na área de infraestrutura”, ressaltou Dilma, que colocou sua equipe, integrada pelos ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e do Comércio Exterior, Armando Monteiro, entre outros, a disposição dos participantes para esclarecer quaisquer dúvidas.Maior economia da América Latina e sétima maior economia do mundo, o Brasil atravessa seu quinto ano de crescimento lento ou nulo, com contração prevista de 1,2% para 2015, segundo dados do governo. Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no Brasil, com um estoque aproximadamente US$ 116 bilhões e é o segundo parceiro comercial do País, com um volume de comércio de 62 bilhões de dólares, segundo dados oficiais de 2014.Após passar dados econômicos de seus governos, Dilma resumiu o sentido de seu discurso: “Todos esses números também representam uma mensagem alta e clara para nós do governo: de que é preciso transformar a demanda potencial por melhor infraestrutura em projetos viáveis para o capital privado.”Concessões

Em seu discurso para investidores brasileiros e americanos, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, voltou a defender os projetos de concessões de infraestrutura feitos nos últimos anos. Barbosa ponderou que é necessário a qualquer governo fazer autocríticas, mas ressaltou que é preciso também reconhecer o que já foi feito e, de acordo com ele, muito se fez nos últimos oito anos.“Gostaria de enfatizar que houve grandes avanços nos últimos anos. É preciso autocríticas, mas é preciso reconhecer o que já foi feito”, disse o ministro. Segundo ele, quando se fala em ferrovias, já foram feitos mais de mil quilômetros no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. “É muito mais do que foi feito nos últimos oito anos”, disse.Barbosa destacou também as seis concessões bem sucedidas de aeroportos no primeiro mandato de Dilma, com investimentos de US$ 9 bilhões. “Mas há muito o que ser feito”, falou, citando o Programa de Investimentos em Logística (PIL), anunciado recentemente pelo governo. Ele detalhou o programa e mostrou para os empresários as várias oportunidades de investimento nas quatro áreas: rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.Barbosa disse que o PIL exigirá investimentos da ordem de US$ 64 bilhões em um prazo mais longo, e determinou que o País precisará de US$ 23 bilhões até 2018. “A maior parte (dos investimentos) será nas concessões de estradas”, afirmou. BNDES

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou durante seminário que a nova rodada de concessões que o governo federal lançou no início de junho é a continuação de um “processo de aprendizagem”, mas possui novidades em relação a ciclos anteriores. As duas principais diferenças, destacou, são a maior participação dos mercados de capitais e maior distribuição e coordenação do risco nas operações de financiamento.Coutinho reforçou que o BNDES continuará sendo um “ator importante” no apoio a esses projetos, especialmente os de longo prazo, por meio da oferta de crédito em busca de “ancorar e atrair” investidores. Ele lembrou que, pelas regras da nova rodada, quando houver emissão de debêntures o custo do financiamento será menor, com uma parte maior submetida à taxa de juros de longo prazo (TJLP). (Das agências)