Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

Mesmo sabendo dos riscos que a alta dos juros impõem à economia do País, o Palácio do Planalto reconhece que ainda não é o momento de interromper o ciclo de alta da taxa básica pelo Banco Central. Apesar de o mercado falar em um aumento de mais 0,50 ponto porcentual da Selic, no Planalto, há quem aposte que ela poderá ficar em apenas 0,25 ponto porcentual. Interlocutores da presidente Dilma Rousseff insistem no discurso de que o ano de 2015 será “muito duro” e a reversão do atual quadro econômico só deve ser é esperada para depois da virada do ano. Na avaliação desses interlocutores, no momento, é preciso manter os juros altos para ajudar a segurar a inflação que continua reticente em vários setores, apesar da queda do consumo e retração da economia. A ideia é apertar o que for possível este ano, mas, olhando para o futuro, em busca de resultados mais positivos no ano que vem. Dentro deste contexto, o entendimento é o de que não é possível afrouxar nenhum dos fundamentos da economia em vigor neste momento, que estabelecem um forte aperto monetário. Neste momento é importante o governo se manter firme em suas metas, dando suporte ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, principalmente porque ele está sendo bombardeado internamente pelo PT e essas críticas terão eco no encontro do partido, previsto para a semana que vem. Além da dubiedade da bancada petista no Congresso, que acaba por influenciar os partidos aliados, a principal preocupação do governo agora é com a aprovação do projeto das desonerações, sem nenhum tipo de desfiguração. Por isso, a ordem é que os líderes e os ministros dos partidos da base continuem trabalhando para garantir a aprovação deste texto, considerado ainda mais importante do que algumas das Medidas Provisórias do ajuste já aprovadas. (AE)