Publicado 04 de Junho de 2015 - 19h05

O professor, escritor e diretor de teatro Edgar Rizzo, fundador do Grupo Téspis, morreu na manhã de ontem em Campinas. Rizzo se recuperava de um acidente vascular cerebral (AVC) que teve em setembro de 2013, mas perdeu a luta para a doença. Segundo seu filho adotivo William Rodrigues, no dia 8 de maio ele teve um segundo AVC e foi hospitalizado. “Estava com ele quando desmaiou, o socorri imediatamente e levei para o hospital. Ele ficou uma semana sedado e entubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro Cor e depois foi para o quarto. Mas segundo o médico, sua função neurológica ficou bem prejudicada. Acredito que ele reconhecia as pessoas, sinalizava com a perna quando falávamos com ele. Mas segundo os médicos não seria mais capaz de falar e andar”, conta Rodrigues, que esteve anteontem com Rizzo. “Segundo o boletim médico ele não tinha apresentado melhoras, mas estava estável. Hoje (ontem) às 5h30 teve uma arritmia e não respondeu aos processos de reanimação. Morreu por volta das 6h”, informa Rodrigues. Segundo ele, durante o período hospitalizado o quadro se agravou. Ele teve pneumonia e deficiência renal.

“Antes de tudo, Edgar foi um grande professor. Além de teatro ensinava humanidade, a percepção do que é ser humano. A partir disso, a arte dele fluía. Foi responsável pela formação de muitos atores, alguns que saíram para o mundo, outros que permaneceram próximos, mas todos levando essa cultura humanista. Campinas perde essa sensibilidade de olhar humanitário”, diz o ator e diretor Christian Schlosser, que protagonizou o último espetáculo dirigido por Rizzo: Carlito Maia - do Sagrado ao Profano.

“Edgar foi um batalhador. Além de artista era professor da rede pública e usou esse conhecimento pedagógico para criar o Téspis (fundado em 1974 dentro do Conservatório Carlos Gomes, onde Rizzo dava aulas de interpretação). Ele conseguiu sobreviver de teatro — tarefa nada fácil — e deixou um grande legado. Foi uma pessoa importante para a história e cultura de Campinas. Era um guerreiro”, afirma o ator e diretor Jonas Rocha Lemos.

“Quando eu era adolescente ele foi meu pai, meu amigo, meu mestre, cuidou de mim. Depois a história se inverteu, quando ele teve o AVC, larguei tudo, parei de atuar, para cuidar dele. Nunca imaginei que tocaria em seu rosto para fazer a barba por ele”, conta Rodrigues, que conheceu o diretor ao fazer curso de teatro no Téspis. “Ele se tornou meu tutor quando eu tinha 13 anos. Morei com ele até dos 13 aos 22 anos e saí quando me casei. Mas sempre estivemos perto, o tenho como meu pai”, reforça Rodrigues.

Legado

Edgar Rizzo tinha 74 anos, era formado em teatro, pedagogia e orientação educacional e sempre se utilizou das artes cênicas no desenvolvimento de suas atividades. Escreveu vários textos para teatro, foi diretor artístico do Téspis até sofrer o AVC, em 2013, e colunista do Correio Popular por anos. Entre outros trabalhos, assinou a adaptação e direção de O Menino Maluquinho, de Ziraldo, o maior sucesso da história do grupo; e foi indicado ao prêmio Molière de teatro infantil em 1990 pela direção da peça Cavalo Transparente. Natural de Joaquim Egídio, lançou em 2010 o livro Fragmentos do Dia - Histórias Egidienses, de crônicas sobre o cotidiano da gente simples do distrito campineiro e de suas reminiscências da infância. Seu enterro foi ontem, no Cemitério de Sousas. O Téspis continua em atividade, agora sob a direção de Robson Lóddo e Nelson Júnior.