Publicado 30 de Junho de 2015 - 5h30

O mundo vive um momento de grave convulsão, vivendo uma realidade violenta que está explicitada no terror que se espalha por todas as nações, semeando um clima de medo e instabilidade preocupantes. O crescimento da influência do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) é uma das pontas da intolerância que cresce e se transforma em ações violentas que atentam contra qualquer cidadão, que pode ser a próxima vítima de atentados sangrentos e absolutamente sem sentido. Na semana passada, três ataques num único dia, na França, no Kuwait e na Tunísia, deixaram ao menos 65 mortos, em bestial demonstração de que a vida humana, para alguns desses terroristas, não vale um centavo. Mesmo sem ter nenhuma evidência de coordenação, apesar de terem acontecido quase simultaneamente, todos acabam sendo identificados com a bandeira do grupo jihadista (Correio Popular, 27/6, A19).

Mais do que um grupo terrorista altamente poderoso e articulado, impressiona o grau e a capacidade de aliciamento de jovens ao redor do mundo, pessoas que abandonam seus países e famílias para se engajar numa guerra sem piedade, reconhecidos pelos requintes de barbárie poucas vezes vistos na execução de seus prisioneiros civis e militares. A crueldade é justificada pelo Estado Islâmico que obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao islamismo, além de viverem de acordo com a interpretação seguida por seus membros. Aqueles que se recusam podem sofrer torturas e mutilações, ou serem condenados à pena de morte, em claro gesto de intolerância absoluta.

Não é apenas o Estado Islâmico que dita a cartilha da violência no mundo. Na África, o genocídio é uma rotina interminável nas lutas entre tribos e etnias; o Oriente Médio é um barril de pólvora permanente, sob a tese ancestral de domínio territorial. Para onde se apontar no mapa múndi é possível identificar áreas de conflito violento, grave, mortal. Não houve um minuto da existência do ser humano sobre a Terra em que não se registrasse algum tipo de conflito violento. Guerras são parte e fizeram o traçado histórico das nações, que desde os primórdios disputavam território, crenças, poder e a própria sobrevivência, demonstrando que o homem é por natureza violento. Nestes tempos modernos, porém, a nova efervescência é um retrocesso inominável da civilização, dando espaço para grupos radicais intolerantes e desapegados a valores como a sacralidade da vida humana, o respeito às crenças e a noção elementar de livre arbítrio.