Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h30

A licitação na modalidade pregão eletrônico para as obras de interligação dos reservatórios Jaguari, na Bacia do Rio Paraíba do Sul, e Atibainha, no Sistema Cantareira, será aberta hoje. Oito consórcios estão na disputa do empreendimento, orçado em R$ 830,5 milhões, dos quais R$ 747,4 milhões virão do governo federal por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A previsão é que a interligação entre em operação no início de 2017. Ontem, o Sistema Cantareira se manteve estável e operou com 19,9% da capacidade, na faixa do volume morto.

Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de forma emergencial, em janeiro, a transposição irá beneficiar diretamente 39 municípios que compõem a Grande São Paulo. Também acarretará em benefícios, subsidiariamente, a 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC), uma vez que o Cantareira, em condições normais, fornece uma vazão de 5 metros cúbicos por segundo (m³/s) para a região. A interligação irá reforçar o Sistema Cantareira e funcionará em mão dupla. São 20 quilômetros de obras, com 13 quilômetros de adutoras e seis quilômetros de túneis.

Segundo a Sabesp, contratante da obra, a interligação das represas permitirá a captação de água na Represa Jaguari e a transferência para a Represa Atibainha. Com vazão média prevista de 5,1m3/s e máxima de 8,5m3/s, o sistema permitirá, também, a transferência de água no sentido contrário, da Atibainha para a Jaguari.

A Represa Jaguari, em Igaratá, tem capacidade para 1,2 bilhão m3/s. Sozinha, armazena 20% mais água do que o volume útil dos quatro reservatórios do Cantareira juntos. A transferência estará pronta para funcionar em 18 meses, após assinatura do contrato, no sentido da Jaguari para a Atibainha, reforçando o Cantareira.

Na fase de pré-qualificação, 14 consórcios se apresentaram na disputa que definirá a empresa que será contratada para a elaboração dos projetos básico, executivo e obras. Pelo contrato assinado na semana passada, a Sabesp tem prazo de 20 anos para pagar o financiamento, incluídos os períodos de carência e amortização. De acordo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com as obras, a capacidade de reserva das duas represas dobrará, passando de 1 bilhão m3/s para 2,1 bilhões. Na avaliação do tucano, a transposição diminuirá a “vulnerabilidade” dos sistemas. O empreendimento será contratado por meio do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), sistema de licitação pública que evita a burocracia e acelera o início e a entrega de obras.