Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h30

A 15 Parada do Orgulho LGBT de Campinas, ontem, foi marcada por discursos enfáticos sobre temas relacionados à causa e fatos recentes, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos e a polêmica na Câmara Municipal a respeito do projeto de lei contrário à “ideologia de gênero” e que proíbe o debate, em salas de aula, de assuntos envolvendo questões de identidade e orientação sexual. Com novo percurso, a caminhada partiu do Largo do Pará, no Centro, e seguiu até o Tunel Joá Penteado e a Avenida Prefeito Faria Lima, na Vila Industrial. A mudança foi motivada pelas obras de revitalização na Avenida Francisco Glicério. Logo na saída, um caminhão quebrou e interrompeu a caminhada por aproximadamente 30 minutos. O imprevisto, no entanto, não desanimou o público, estimado pela Polícia Militar entre 15 e 20 mil pessoas — o número se refere ao final da concentração no Pará e supera o esperado pela organização, que era de 10 mil pessoas. A expectativa mais baixa se deve à diminuição de participantes na Parada em São Paulo, segundo a coordenadora do Centro de Referência LGBT da Prefeitura de Campinas, Valdirene Santos. “Na Capital, caiu o número de manifestantes este ano. É difícil mensurar as causas, mas estamos vivendo um momento muito complicado, de retrocesso, e as pessoas estão ficando cansadas”, avaliou. “É preciso que as cores estampadas nas redes sociais saiam da tela e entrem de vez nas nossas vidas”, completou. De acordo com um dos membros da Associação Organizadora da Parada, Douglas Holanda, o evento deste ano teve mais atrações culturais. Entre elas, apresentações de drag queens e show com a Banda Demoond, que encerrou a Parada, no Túnel Joá Penteado. Até o fechamento desta edição, nenhuma ocorrência havia sido registrada. No sábado, membros da comunidade LGBT já haviam saído às ruas na primeira Caminhada de Lésbicas e Bissexuais da cidade. Segundo a organização, o objetivo do evento era dar visibilidade a lésbicas e bissexuais e buscar o respeito. Em São Paulo, o movimento já é realizado há 13 anos. Por aqui, a ideia é continuar realizando a caminhada, promovendo-a anualmente, um dia antes da Parada do Orgulho LGBT. “Há machismo dentro do movimento também, como há machismo em toda a sociedade. Então, as mulheres têm que ter espaço e vamos levar isso adiante. Esperamos um público maior no ano que vem. Acredito que teve muita mulher que não participou por não ter ciência, mas essa caminhada vai crescer”, afirmou o presidente do Conselho Municipal dos Direitos Humanos, Paulo Mariante. (Marita Siqueira e Mary Damasceno/Da Agência Anhanguera)