Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h30

O governo de Dilma Rousseff tem dado repetidas e inequívocas demonstrações de não saber lidar adequadamente com os problemas, agravando uma crise econômica que poderia ter sido evitada com responsabilidade fiscal, honestidade de princípios e mesmo a competência que lhe faltou como economista e parte integrante do poder há tanto tempo. A necessidade de ajuste e corte de benefícios é um remédio amargo que, em sua essência, é inevitável, deixando apenas azo para a discussão do foco e da profundidade das medidas a serem adotadas.

A manifestação de todos os setores é proporcional às perdas anunciadas, cada qual defendendo a sua força e capacidade de investimentos. Uma das principais preocupações é justamente com a manutenção dos níveis de emprego no maior nível possível, evitando maiores danos sociais dos que estão prenunciados. Ainda assim, o objetivo maior é a redução de perdas, alertando para os movimentos que empregam mais mão de obra e que têm o dom de dar o giro dos recursos empregados. Neste sentido, a construção civil é um dos setores vitais, por atuar em área de forte contenção social, de geração de empregos e rápida movimentação de capitais.

Não bastasse o golpe no setor com o comprometimento das grandes empreiteiras envolvidas nas denúncias de corrupção da Petrobras, o governo federal vem atrasando o repasse dos recursos do panfletário programa Minha Casa Minha Vida para construtoras, somando, na contramão da razão, um prejuízo que alcança R$ 1,6 bilhão para as empresas que estão ameaçadas de interromper as obras e postergar as entregas. A terceira fase do Minha Casa, cujo lançamento chegou a ser anunciado pela presidente para o primeiro semestre, só deve ganhar força a partir de 2016. O governo admite que é necessário resolver a pendência dos pagamentos atrasados (Correio Popular, 25/6, A18).

Está agendada para esta terça-feira reunião em Brasília com representantes do governo, no sentido de obter a liberação dos recursos, ou, pelo menos, um cronograma de pagamentos condizente. A reação do governo será um termômetro para avaliar a consciência de que estancar o setor de construção civil é sinônimo de agravamento da crise, com as consequências mais nefastas que se podem prever. Mas pode-se esperar tudo de um governo que prioriza incentivos à venda de autos e eletrodomésticos como antídoto para uma crise internacional que faria apenas marola na economia brasileira.