Publicado 04 de Junho de 2015 - 5h30

Se, na opinião de muitos, não se mexe no que está bom, o prolongamento da Avenida Mackenzie, em Campinas, vai fazer repensar a questão. Isso porque, após a intervenção realizada, conseguiu ultrapassar as expectativas baseadas em um alicerce de respeito à questão ecológica e ambiental. Única na sua concepção e pioneira na região, é o caminho para o empreendimento imobiliário EntreVerdes, realizado pelas empresas Entreverdes Urbanismo, Grupo Garnero e THCM. O projeto se preocupou em preservar mais de 1 milhão de metros quadrados de áreas verdes dentro e fora do empreendimento, enriquecidas com o plantio de mais de 67 mil mudas de espécies nativas.

A avenida é fechada por alambrado em toda sua extensão para evitar a circulação de animais e foram construídos cinco corredores de fauna para que os animais circulem entre as áreas. O acesso ligará o Centro e a Rodovia D. Pedro I, nas proximidades do Shopping Iguatemi, ao distrito de Sousas. O trajeto criará uma alternativa de trânsito ao distrito, além da Rodovia Heitor Penteado, única opção atualmente.

Todo o verde aplicado está distribuído entre áreas de preservação, parques, praças, pistas para caminhada, clubes e no paisagismo dos espaços livres. O total de plantas usadas no paisagismo e reflorestamento são aclimatadas e desenvolvidas em viveiro próprio, dentro do loteamento.

O resultado, além de áreas verdes mais desenvolvidas e exuberantes, é o que ela representa para uma vida mais sustentável como o aumento da absorção de carbono da atmosfera e da diversidade da fauna, compensação do carbono emitido pelos equipamentos e máquinas até o fim das obras, melhor infiltração e retenção de água no solo e, consequentemente, acréscimo do recarregamento do lençol freático.

Segundo Fernando Garnero, diretor-presidente do Grupo Garnero, a construção do prolongamento de oito quilômetros que ligará a atual Avenida Mario Garnero até a Mackenzie, no trecho próximo à Leroy Merlin, representa um ícone de mudança de paradigma, ou seja, mexe com o padrão da forma de pensar em relação ao ecossistema urbano. “Muitos pensam que uma avenida representa impacto ambiental e ameaça à qualidade de vida. Muito pelo contrário. O planejamento da avenida foi concebido dentro de uma ótica mais ampla, estabelecendo diretrizes para a consolidação das áreas verdes em toda a região, abrindo a possibilidade de formação dos corredores ecológicos que permeiam tanto a área urbana quanto a rural da Área de Proteção Ambiental (APA)”, diz.

“Assim como as diretrizes viárias de um bairro garantem que as conexões respeitem o fluxo dos carros de forma ordenada, o planejamento dos corredores ecológicos foi priorizado para ser uma marca do empreendimento EntreVerdes sendo elemento central para preservar mananciais, evitar a ocupação urbana desordenada e destacar a vocação do ecossistema regional, contribuindo com a valorização do perfil turístico local”, acrescenta Garnero, que também é diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Associação das Nações Unidas-Brasil (Anubra).

Outro presente é a ciclovia, totalmente independente, de aproximadamente nove quilômetros, que irá permitir acesso do Shopping Iguatemi ao Condomínio EntreVerdes. Esse elemento é outro quesito que merece destaque, assim como a preservação da estrada municipal CAM 10, obra que evitará o assoreamento e permitirá a recuperação dos recursos hídricos. Garnero explica que o conjunto de elementos foi aprovado por intermédio do Estudo de Impacto e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), num processo de mais de oito anos de adequações a rigorosas normas ambientais.

“Temos muito mais para falar a respeito de benefícios relacionados ao saneamento, à geração de empregos e impostos, desenvolvimento qualificado nas áreas de serviços etc. O novo prolongamento da Avenida Mario Garnero nos interliga a um novo tempo, que tem a inovação como aliada para as cidades verdes e sustentáveis”, afirma.

Palmeiras azuis dão boas-vindas a moradores

O projeto paisagístico do novo acesso ao distrito de Sousas foi a fundo na valorização da mata nativa e recomposição do ecossistema original. Também destaca pontos estratégicos com vegetação exuberante que garante a sofisticação do espaço. A entrada do empreendimento dá boas-vindas com um canteiro de bismarkias (palmeiras azuis de rara beleza) que, em composição com a forração colorida, ganha destaque e dá dicas do quem vem a seguir. Após a portaria, há um grande espelho d’água e uma sequência de imponentes palmeiras imperiais que seguem por toda a avenida principal. Cada rua do condomínio apresenta uma espécie diferente de árvore, como ipês-amarelos, roxos e brancos, jacarandás-mimosos e quaresmeiras que, além de suas belezas singulares, criam diferentes pontos de atração dependendo da época do ano em que florescem. O clube recebeu tratamento paisagístico especial, com espécies exóticas e escultóricas, como nolinas, dracenas e palmeiras rabo de raposa, que se harmonizam com a arquitetura do local e garantem um clima especial. Para a vista do clube (um vale acidentado) foi recriada uma mata heterogênea, onde espécies nativas e floridas garantem a paisagem natural. (VT/AAN)