Publicado 04 de Junho de 2015 - 5h30

Doce, a jabuticaba é uma fruta nativa da Mata Atlântica, usada em doces ou comida direto do pé. A árvore pode demorar até 17 anos para crescer e dar frutos. O Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, em Sousas, criou um projeto para plantar jabuticabeiras, reunindo mais de 40 variedades da fruta. A ideia é que, quando crescerem, as pessoas possam ir ao local e apreciar o bosque de jabuticabas e o sabor das frutas.

A criação do “acervo” ainda está no início: em uma área da unidade, onde também existem pés de mandioca, foram plantadas 138 mudas enxertadas. O processo de enxerto possibilita que as árvores deem frutos mais rápido, diminuindo o tempo para dois anos. O enxerto é feito na muda já crescida e é colocado um parte de outra jabuticabeira nos troncos. É possível criar plantas híbridas. O pé é de uma espécie e o enxerto, de outra.

O projeto começou em 2009, com o voluntário e agrônomo Carlos Jorge Rossetto. A coleção inclui quatro espécies, de um total de sete conhecidas. São elas: a jabuticabeira-branca, que possui diversas variedades; a coroada, olho-de-boi e também chamada de jabuticabeira do mato e a jabuticabeira cauliflora, que inclui a sabará, a paulista e as híbridas.

O projeto também pretende vender as mudas pelo País. Uma muda simples, com seis meses, custa em torno de R$ 50,00. Já as jabuticabeiras enxertadas, com frutas consideradas nobres, podem chegar a R$ 5 mil. O agrônomo quer que as jabuticabeiras se tornem lastro material de estudo para universidades e instituições de pesquisas.

A ideia é que essa coleção também seja incorporada pelo Cândido Ferreira como fonte de renda. Além das mudas, a instituição produz hortaliças, quadros e peças de marcenaria, entre outros produtos feitos nas oficinas dos pacientes.

Com Rosseto, trabalham três funcionários do Cândido. Um deles é o monitor da área agrícola Siderlei Carvalho. Ele conta que uma das dificuldades do projeto é a concorrência da colheita com os pássaros, que apreciam bastante a fruta. “Assim que sai, eles vêm. Mas estamos trabalhando para evitar que isso ocorra, para as plantas crescerem”, disse.

A entidade não utiliza agrotóxicos na plantação ou qualquer outro tipo de produtos químicos.

Piloto

O projeto de jabuticabeiras é um projeto-piloto, com a intenção de servir de exemplo a instituições que queiram implantar um trabalho desse tipo e funcionar como escola também. Atualmente, quem cultiva jabuticabas e dá todo suporte é a oficina agrícola do Núcleo de Oficinas de Trabalho do Cândido Ferreira.

Rossetto conta que as coleções públicas de jabuticabeiras do Brasil estão praticamente destruídas. Segundo ele, uma das poucas coleções públicas, em números de coletas, é a coleção da Universidade Federal de Viçosa. Na região, são seis espécies e existe uma única que não é brasileira — a peruana, que é a jabuticaba de cabinho. Essa espécie foi incorporada à coleção do Cândido.