Publicado 04 de Junho de 2015 - 5h30

A morte do empresário Marcos Onofri Júnior, de 39 anos, anteontem à noite, ampliou a sensação de insegurança em Campinas e levou medo aos moradores do Jardim Nova Europa, onde o crime ocorreu. Ontem, a academia onde a vítima tinha deixado o filho de 3 anos, antes de ser morto, ficou fechada em luto. O caso foi registrado como latrocínio, roubo seguido de morte, mas segue em investigação. No bairro onde ocorreu, a sensação é de revolta e medo.

Se confirmado como latrocínio, subirá para sete o número deste tipo de crime na cidade só nos seis primeiros meses deste ano. Em todo o ano de 2014 foram oito casos. Maio deste ano foi o mês com mais ocorrências de latrocínio: três. Outras três ocorreram entre janeiro e abril.

Apesar de todos os casos terem sido registrados como roubo ou tentativa de roubo seguido de morte, o Departamento Polícia Judiciária (Deinter-2) contesta os números. Segundo o delegado-assistente do Deinter 2, Luís Segantin, apenas quatro dos casos são considerados roubos seguido de morte. Os assassinatos de um metalúrgico de 48 anos, atingido por dois tiros ao reagir a um assalto na Vila União; o do motorista de 39 anos de São Paulo que foi morto com a tiros dentro do caminhão na Rodovia dos Bandeirantes — ambos em maio — e o do empresário de anteontem, vão ser também investigados como homicídio, já que, segundo a polícia, não se levou nada e até o momento não há provas nem testemunhas de que foi realmente assalto. “Nesses casos não foi demonstrado claramente a tentativa de subtração de bem patrimonial”, disse Segantini.

O caso do empresário será investigado pelo Setor de Homicídios em conjunto com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Apesar das circunstâncias do boletim de ocorrência, será trabalhada também a possibilidade de homicídio. A ação foi muito rápida e as evidências que apuramos no local mostraram que os criminosos já chegaram atirando”, comentou o chefe de investigação da DIG, Marcelo Hayashi.

Nenhum suspeito foi preso ou identificado até ontem. Segundo Segantini, as investigações dos crimes seguem. “O que dificulta são a falta de testemunhas e de imagens, mas a polícia busca meios de inteligência para identificação dos autores. Os resultados não são imediatos”, afirmou Segantini.

Segundo o delegado do Deinter-2, Kleber Altale, em 2014, dos oito latrocínios registrados, sete foram esclarecidos, com a prisão de 13 bandidos. “Conseguimos resolver os casos do ano passado. Latrocínio é sempre preocupante para uma cidade, mas os números deste ano não são tão alarmantes. O latrocínio é preocupante porque os bandidos saem para roubar e não para tentarem contra a vida das pessoas. Mas acaba ocorrendo uma falha. Ou a vítima reage ou o criminoso está drogado e reage de uma forma bruta”, comentou Altale, que pede para a vítima não reagir e confiar no trabalho da polícia.

Avenida

O crime de anteontem ampliou o medo entre moradores e comerciantes, especialmente da Avenida Baden Powell, no Nova Europa. Na via existem mais comércios do que moradias, porém todos são unânimes ao dizer que no bairro existem muitos assaltos. “Acredito que ocorre muito assalto porque os acessos da via facilitam a fuga dos criminosos. Até então não tinha ocorrido mortes. Agora dá medo de morar por aqui”, disse o universitário Caio Silva, de 22 anos, que mora com os avôs idosos e garante que a partir de agora vai tomar mais cuidado quando chegar em casa à noite.

O crime foi por volta das 19h15. Muitos dos estabelecimentos já tinham fechado. Silva disse que estava no interior da casa com os avós quando ouviu três tiros. “Quando saí na rua, o rapaz estava caído.” Atingido na cabeça, Onofri chegou a ser socorrido com vida e levado para cirurgia no hospital Mário Gatti, mas não resistiu.

Segundo a vizinhança, na hora do crime o bairro estava sem energia por conta de duas quedas rápidas. “Estava meio escuro. Não foi execução porque o Marcos (Onofri) era tranquilo”, disse o comerciante Josué Rodrigues, de 33 anos, que foi um dos primeiros a chegar no local após os disparos. Os conhecidos da vítima acreditam em tentativa de assalto, já que o empresário não tinha inimigos.

Pouco antes do crime, testemunhas teriam visto o carro dos criminosos parado na esquina. Porém, ninguém testemunhou a ação na vizinhança. “A sensação é de medo e insegurança agora. Apesar da rua ser movimentada, o perigo existe e temos que ter cuidado redobrado”, comentou um morador que não quis ser identificado.

Enterro de vítima ocorre em clima de comoção

Comoção e tristeza marcaram o enterro do empresário ontem à tarde, no Cemitério das Aleias, em Campinas. Vários amigos, clientes e parentes participaram do velório. Familiares descartam a possibilidade de execução e acreditam em latrocínio. Segundo a irmã, a técnica em enfermagem Renata Gama Onofri, o empresário estava com o filho na academia e depois de algum tempo foi pegar a toalha no carro. Ele levava nas mãos a chupeta e o sapato do menino. Segundo ela, testemunhas teriam visto o Gol emparelhar — o empresário abria o carro e se virou rápido. “Acho que o bandido se assustou e atirou sem anunciar o assalto. Com certeza o alvo era o carro. Meu irmão era uma pessoa do bem, honesta e muito trabalhadora”, disse. Onofri trabalhava no ramo de informática há anos, segundo amigos. O sócio da vítima, Wesley Alves, também descarta execução e frisou que o amigo era tranquilo e não tinha inimizades. “Ele conversa com os clientes, tinha bom relacionamento e nunca teve problemas com funcionários. É assalto

sim.” (AR/ANN)