Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

Um homem de 41 anos foi morto com golpes de paralelepípedo na cabeça e rosto no final da noite de anteontem, no terreno da antiga rodoviária, no bairro Botafogo, em Campinas. A princípio, a polícia informou que Ezequiel Vieira da Silva era morador de rua, mas familiares que são de Aragarças, em Goiás, afirmaram, após lerem reportagem no portal do Correio, que a vítima estava na cidade a tratamento de hepatite e que retornaria na tarde de anteontem, mas desapareceu. O acusado de ser autor do crime, o servente Luciano Barboza, de 35 anos, se entregou cerca de seis horas depois no 1 Distrito Policial (DP), quando a polícia registrava o boletim de ocorrência de homicídio. Ele foi preso e encaminhado para a cadeia anexa ao 2 DP. O suspeito alegou que era assediado por Silva que, segundo ele, era gay. Com as novas informações da família, o caso será investigado também como latrocínio — roubo seguido de morte. O corpo foi achado por volta das 23h40 pela Polícia Militar (PM) após denúncias anônimas, ao lado de uma coluna de concreto, onde moradores de rua costumam dormir. No bolso da calça da vítima foi achada apenas a cópia da identidade. A pedra usada no crime estava nas proximidades do corpo. Segundo uma sobrinha, a empresária Doanne Diehl, de 29 anos, Silva chegou a Campinas no dia 29 de maio e pegaria o ônibus de volta a Goiás às 15h25. “Ele estava com mala, dinheiro e a passagem de volta. A última vez que meu avô falou com ele foi pouco antes das 15h, mas depois não conseguimos mais falar com meu tio”, contou. “Até onde sabemos, meu tio não era homossexual, só era doente e estava muito debilitado.”

A ONG SOS Rua confirmou que Silva não tinha cadastro como morador de rua e que ele estava bem vestido. Segundo a Polícia Civil, o servente relatou que mora em Mogi Guaçu e estava em um alojamento na cidade por causa de um serviço na área da construção civil.

O homem teria dito que desde que chegou, há cerca de duas semanas, recebia convites da vítima para sair, até que anteontem à noite, ao passar pela Rua Barão de Parnaíba, voltou a ser assediado e “perdeu a cabeça”.

O suspeito disse que pegou o paralelepípedo, agrediu Silva e fugiu sem olhar para trás. Ele teria ido até um bar nas proximidades, onde bebeu algumas doses de pinga e foi aconselhado a se entregar. “Ele chegou calmo e disse que queria se entregar porque tinha matado uma pessoa. Na hora ninguém acreditou, mas ele deu detalhes do crime e então o prendemos”, contou um policial civil. Segundo o suspeito, ele teria avisado para a vítima que gostava de mulheres e que não queria ser mais assediado. Barboza tem passagem criminal por roubo. “Vamos chamar a família para prestar depoimentos, pois até então tínhamos só a versão do autor”, disse o delegado Roney de Carvalho Lima. (Alenita Ramirez/AAN)