Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

O Sistema Cantareira voltou a reduzir a liberação de água ontem para as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e descarregou apenas 0,7 metro cúbico por segundo (m3/s), sendo 0,2m3/s no Rio Jaguari e 0,5m3/s no Rio Atibaia, manancial que abastece 95% de Campinas. Na segunda-feira, a liberação foi de 0,9m3/s. Para a Grande São Paulo também houve redução, para 8,04m3/s. A medida visa reter o maior volume de água possível nos reservatórios para enfrentar o período mais crítico da estiagem, que tem início neste mês. A ligeira elevação do nível do Cantareira que ontem operou em 19,9% não representa nenhum ganho expressivo de água.

Entre o volume de água que entrou ontem e a que saiu, o saldo foi positivo em 16m3/s. Mesmo assim, os reservatórios estão operando no negativo, em 9,4%. Será preciso que os reservatórios recebam ainda 107,2 bilhões de litros para pagar o empréstimo feito na cota do volume morto para poder então passar a operar na faixa do volume útil, acima das comportas.

Mesmo com a redução da descarga, o Rio Atibaia permaneceu ontem com boa vazão, de 12,8m3/s, garantindo com tranquilidade o abastecimento de Campinas. Essa vazão foi garantida pela chuva que caiu desde o final de semana na calha do rio e nos afluentes. Mas isso pode mudar rapidamente. “Basta parar de chover dois ou três dias e teremos novamente baixas vazões e riscos para o abastecimento”, afirmou o especialista em recursos hídricos José Lopes da Silva.

Entre segunda-feira e ontem choveu em média 7,2 milímetros ao longo do Rio Atibaia em Campinas. O maior problema é não poder armazenar toda essa água porque não há reservatórios construídos em Campinas nem em boa parte das Bacias PCJ. Sem isso, a água da chuva que chega ao Rio Atibaia segue para o Rio Piracicaba, que deságua no Rio Tietê, que por sua vez deságua no Rio Paraná e depois no Rio da Prata (na Argentina) e vai parar no mar.

O aumento da vazão trouxe mais tranquilidade aos municípios que se abastecem no Atibaia e às indústrias que precisam do manancial para mover o processo produtivo, no momento em que regras de restrições de captação de água nas Bacias PCJ já estão valendo e que tem início o período mais seco dos meses de estiagem. Essas regras obrigarão as empresas de saneamento, indústria e irrigantes a reduzir a retirada de água nos rios Atibaia, Jaguari, Camanducaia e afluentes sempre que o volume de água nesses mananciais atingir vazões limites.

Desde segunda-feira estão valendo novas regras na operação do Sistema Cantareira, para preservar o manancial. A Bacia do Alto Tietê está autorizada a receber até 13,5m3/s nos próximos três meses e depois 10m3/s de 1 de setembro a 30 de novembro. Essa vazão é medida na Estação Elevatória de Santa Inês — significa que esses volumes levam em consideração a retirada do Sistema Cantareira e mais aquela que vier na Represa Paiva Castro, que fica abaixo do Sistema Equivalente. As Bacias PCJ estão autorizadas a receber 3,5m3/s até 30 de novembro.

A Agência Nacional de Água (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) poderão autorizar acréscimos de descarga para jusante dos aproveitamentos dos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira e Atibainha e para a Bacia do Alto Tietê, na estação elevatória de Santa Inês, mediante solicitação justificada. Até 1 de agosto, os gestores do sistema vão reavaliar as projeções de evolução de armazenamento do Sistema Cantareira.