Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

Os rumos da greve dos servidores municipais de Campinas serão definidos hoje à tarde, quando governo municipal e sindicato se reúnem para a primeira rodada de negociação após o início das paralisações, na segunda-feira. O Executivo espera entrar em acordo com a categoria e adiantou que tentará avançar nos valores de benefícios. Já os servidores reivindicarão na mesa um reajuste salarial de 18,6%, mesmo com a sinalização de que o governo “baterá o martelo” na proposta de 7,13% de reposição e 10% no vale alimentação.

A mesa de negociação está prevista para as 14h de hoje e, logo em seguida, haverá assembleia da categoria para aprovar ou não as propostas apresentadas pelo governo municipal. “A mobilização de hoje (ontem) foi grande, cerca de mil pessoas compareceram às escadarias do Paço demonstrando enorme disposição de luta. Os trabalhadores se conscientizaram que somente assim conseguiremos alcançar nossos objetivos”, informou, em nota, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (STMC).

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), disse que espera entrar em acordo com a categoria na nova rodada de negociação. Para ele, não houve adesão à greve e os serviços públicos funcionaram normalmente nos últimos dois dias. “O que nós percebemos é que houve uma tentativa de criar um fato, de que havia adesão ao movimento. Mas a população não foi afetada. Os servidores entendem que a nossa Administração corresponde ao que eles esperam. Estamos avançando em todos os setores”, acredita. “Na questão econômica, vamos avaliar novamente os índices, mas acredito que o trabalhador hoje prioriza seus benefícios”, completou o prefeito.

Apesar de um efetivo reforçado de guardas municipais, os acessos ao Palácio dos Jequitibás não foram bloqueados pelos grevistas, como ocorreu na segunda-feira. A Administração conseguiu liminar na Justiça para desimpedir as entradas, com pena de multa diária de R$ 10 mil aos grevistas. O secretário de Relações Institucionais da Prefeitura, Wanderley de Almeida, chegou a classificar a atitude como “unilateral e truculenta”.

Ontem, a categoria saiu em passeata pelas vias da região central. Cerca de 250 pessoas acompanharam o trio elétrico, que passou pelas avenidas Benjamim Constant, Francisco Glicério, Moraes Salles, Rua Irmã Serafina e, por fim, Avenida Anchieta, ocupando às 13h as duas faixas da via. “Exigimos a presença do prefeito Jonas na mesa de negociação, afinal, esse é o momento de valorizar o servidor, que carrega a cidade nas costas”, informou o sindicato, que fará concentração em frente ao Paço a partir das 7h. Jonas, por enquanto, não considera comparecer a encontro. Segundo ele, o sindicato sabe que a negociação é feita por uma pessoa de sua inteira confiança (o secretário Wanderley Almeida).

Balanço

Em nota, a Administração informou que 2% dos servidores municipais não compareceram ao trabalho ontem. Esse número representa, em um universo de 17 mil trabalhadores, cerca de 340 pessoas. Porém, diferentemente do balanço apresentado na segunda-feira, não foi informado pela Prefeitura quais setores ficaram comprometidos no segundo dia de greve. Na segunda, a greve afetou principalmente a área da Educação, com 18 unidades totalmente fechadas e cem parcialmente. Na Saúde, das cem unidades da cidade, oito ficaram parcialmente paralisadas na segunda-feira.

Acordo na madrugada cancela a paralisação no transporte

A paralisação dos motoristas de ônibus de Campinas, programada para ontem, foi suspensa durante a madrugada após a realização de uma assembleia do sindicato da categoria com os trabalhadores, que aceitaram um acordo e cancelaram a greve. Após alarde por meio de panfletos e da imprensa, a categoria aceitou reajuste salarial proposto pelas empresas menor do que a porcentagem mínima apresentada, que era entre 9% ou 10%. Nas primeiras horas de ontem os ônibus saíram das garagens, para o alívio dos usuários do transporte público. O encontro entre representantes do sindicato e as empresas de transporte público da cidade aconteceu na noite de segunda-feira, e se estendeu até as 23h30. Os trabalhadores aceitaram receberão um reajuste real de salário de 8,13%, um acréscimo de R$ 100,00 na comissão de viagens, aumento de 8,13% no vale alimentação e 8,13% de aumento na Participação nos Lucros e Rendimentos (PLR). Com esse acordo firmado, o salário dos motoristas de Campinas subiu de R$ 2.084,00 para R$ 2,6 mil. Assim como a comissão de viagens, que passou de R$ 300,00 para R$ 400,00. A comissão é um resultado de um acordo entre empresas e motoristas que passaram a receber pelo acúmulo de função após o fim dos cobradores. As empresas haviam proposto anteriormente aumento de 7,21%. Apesar da suspensão da greve, o aumento dos valores e os 8,13% de acréscimo ao salário não corrigem a inflação deste ano, estipulada em 8,34%. Após o acordo firmado, representantes do sindicato se dirigiram, durante a madrugada, às garagens para conversar com os motoristas e trabalhadores que chegavam para a greve. Às 3h30, eles foram informados do resultado da reunião e saíram com os veículos das garagens. O serviço foi prestado normalmente à população. (GA/AAN)