Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

O Brasil mergulhou em período de recessão que contraria todas as expectativas otimistas geradas desde a passagem de século e mitificadas através de um discurso evasivo, de cunho populista e dissociado de uma realidade global. Nos anos de governo petista, o que se viu foi uma política de aproveitamento dos bons ventos que impulsionavam a economia local, com excepcionais oportunidades de crescimento, tudo desperdiçado em função de uma proposta de reforma social que não passou da distribuição de benefícios e programas que não atingiram seus objetivos elementares e se mostraram insustentáveis. Não se pode argumentar em favor dessas políticas equivocadas elencando ganhos sociais, porque são irreais e construídos mais no discurso eleitoreiro e inconsequente dos petistas no poder.

A conta a ser paga foi apresentada e agora se discutem as metas de um ajuste fiscal que permita o reequilíbrio das combalidas finanças nacionais. E, mais uma vez, a fatura será quitada com o sacrifício da classe trabalhadora, com a penalização do setor produtivo, com o repasse da responsabilidade para os outros entes federativos que não a própria máquina estatal e seus satélites nos parlamentos. A primeira ação foi o aumento de impostos, o corte de benefícios trabalhistas, a retirada de incentivos à produção, redução do crédito e retenção do consumo. A contenção de despesas da máquina administrativa mal é cogitada.

Mesmo que se reconheça a necessidade de ajustes nas contas do governo federal, a preocupação maior está nas consequências que trarão para a economia, com traços de forte recessão. E no caminho do prejuízo estão os municípios: a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) prevê uma queda nas transferências para estados e municípios da ordem de R$ 11 bilhões, por conta de cortes na Saúde, Educação, Cidades, Transporte, Integração Nacional, ministérios que tem alta relação com os municípios por meio dos programas federais e das emendas parlamentares. Os municípios sofrem com a queda de arrecadação própria e dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios, além de, há tempos, terem assumido encargos federais, especialmente nas áreas de Segurança, Saúde e Educação (Correio Popular, 25/5, A6).

É preciso estarmos atentos para as consequências do chamado ajuste fiscal, que nada mais é do que introduzir ações restritivas e recessivas, condenando a população a um período de sacrifícios. Nada mais lógico que a pressão recaia a quem é o maior responsável pelo rombo nas contas públicas, por conta de pedaladas na área livre do Alvorada.