Publicado 02 de Junho de 2015 - 5h30

Cerca de cem moradores da região do Jardim San Diego fecharam as duas pistas e complicaram a volta para casa dos motoristas que passaram pela Rodovia Santos Dumont (SP-75), no final da tarde de ontem, em Campinas. Eles protestaram contra a demora do início das obras de um Centro de Saúde (CS) que irá atender sete bairros nas proximidades. A Polícia Rodoviária informou que o congestionamento chegou a oito quilômetros. A Prefeitura disse que o projeto já conta com a liberação de uma verba de R$ 1,4 milhão. De acordo com o Executivo, a obra deve começar ainda este ano.

O protesto começou por volta das 16h45 e percorreu primeiro as ruas do San Diego, Jardim Nova Mercedes e residenciais Nova Bandeirante e Vila Abaeté. A intenção era reunir mais pessoas, além das 50 então presentes, para só depois invadir a rodovia. Às 17h, manifestantes, entre eles crianças e mulheres, entraram primeiro na pista marginal do Nova Mercedes para depois ocupar as três faixas da estrada, no sentido Campinas. Eles andaram ao longo de dois quilômetros e por cerca de 20 minutos, sem acompanhamento policial.

Na sequência, os moradores fizeram o retorno e acessaram a marginal na pista contrária. Houve um princípio de tumulto quando a Polícia Militar (PM) tentou evitar a nova invasão da Santos Dumont, mas os manifestantes não respeitaram a ordem e ocuparam mais uma vez a rodovia, no sentido Indaiatuba. Várias viaturas e motos da Polícia Militar Rodoviária passaram a acompanhar os manifestantes, que andaram por cerca de mais um quilômetro. Com o trânsito totalmente fechado mais uma vez, os policiais calcularam o congestionamento em cerca de oito quilômetros. Os manifestantes se dispersaram na altura da passarela de pedestres do Jardim Itatinga, às 18h21.

A Comissão de Saúde dos Sete Bairros disse que reivindica a construção do CS desde 2007 e calcula que o novo centro atenderia cerca de 15 mil pessoas que moram na região do San Diego e hoje precisam usar a unidade do São José, distante cerca de cinco quilômetros. “A situação é complicada porque não tem um caminho a não ser a rodovia. Não é possível uma mãe sair daqui com uma criança e ir até o São José. Isso dificulta para os moradores”, afirmou um dos integrantes da comissão, Lúcio Rodrigues. Ele disse ainda que uma verba parlamentar em 2009 já garantiu o dinheiro para a obra, mas que a licitação sequer foi iniciada até agora. “O posto (do São José) é longe e pequeno para gente”, disse a dona de casa Fabíola do Nascimento Torres.

Verba

A Secretaria de Saúde de Campinas confirmou que R$ 1,4 milhão já foram empenhados para construção do CS, mas que o envio da verba está sendo analisado pela Caixa Econômica Federal. A expectativa é que as obras comecem ainda este ano, mas a Prefeitura não informou uma data específica para isso.

Box do abre

Moradores da região já protestaram contra a demora em outras oportunidades. Um grupo de 20 moradores fez uma manifestação em março do ano passado contra a demora na construção do CS durante o sorteio das chaves do Residencial Vila Abaeté, pelo programa Minha Casa, Minha Vida e Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab) de Campinas.

Na época, a Prefeitura informou que a previsão era que as obras começassem no início de 2015. Em dezembro de 2013, cerca de 200 pessoas também fecharam no final da tarde uma das pistas da Santos Dumont.