Publicado 02 de Junho de 2015 - 5h30

O primeiro dia de greve dos servidores municipais de Campinas foi marcado por tensão na manhã de ontem no Paço Municipal. Todos os acessos da Prefeitura foram bloqueados por grevistas com faixas para impedir a entrada de servidores e contribuintes. Foi necessária intervenção judicial para que as entradas fossem liberadas. A greve também afetou principalmente a área da Educação, com 18 unidades totalmente fechadas e cem parcialmente. A greve continua hoje, conforme decisão da categoria. Os servidores pedem reajuste salarial de 18,6% — o governo municipal propôs 7,13% na semana passada, mais 10% no vale alimentação.

Por volta das 7h de ontem, a entrada principal pelas escadarias do Palácio dos Jequitibás foi bloqueada pelos servidores, bem como o estacionamento do prédio, na Rua Barreto Leme. Contribuintes e servidores que chegavam para trabalhar se aglomeravam por um tempo na frente da Prefeitura e depois iam embora. A Administração conseguiu liminar na Justiça por volta das 12h30 e as entradas liberadas às 14h30. A liminar foi concedida pelo juiz da 2 Vara da Fazenda Pública, Wagner Gidaro, que determinou pena de multa diária de R$ 10 mil ao sindicato caso os acessos não fossem desimpedidos.

Piquete impedindo a entrada de servidores no Paço ocorreu de forma semelhante em 2009, no sétimo dia de greve da categoria. Na ocasião, os grevistas fecharam por quase duas horas todas as entradas do prédio e a Polícia Militar foi chamada para liberar a passagem. Ontem, a Guarda Municipal monitorou a movimentação dos grevistas, mas não houve confronto.

O secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida, disse que Executivo está aberto ao diálogo e que uma nova reunião deve ser marcada amanhã. “Não rompemos com a mesa de negociação, e devemos oficiar o sindicato esta terça-feira para uma rodada na quarta”, disse. “Hoje (ontem) pela manhã fomos surpreendidos (com o fechamento das entradas). Foi uma postura unilateral, truculenta. Houve até mesmo a contratação de seguranças. Não dissemos em nenhum momento que não dialogaríamos”, criticou Almeida.

A determinação do prefeito Jonas Donizette (PSB), segundo o secretário, foi para que as negociações fossem “esgotadas” a fim de evitar que a população fique com os serviços públicos comprometidos. “A nossa proposta é a média dos principais índices inflacionários do País, e 10% no auxílio-alimentação está acima”, defendeu.

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público (STMC) dizem que a medida de fechar os acessos ocorreu para tentar “forçar” o governo a retomar a negociação, e que não eram pessoas contratadas, e sim de sindicatos que apoiaram movimento dos servidores e que não foram truculentas como o secretário alega. “O sindicato compreende as necessidades da população e por isso manteve 30% de atendimento de urgência e emergência”, divulgou a categoria no fim da tarde.

Participação

Apesar do Paço ser fechado, não foi grande a presença de servidores nas escadarias da Prefeitura. Somente por volta das 15h30, quando foi realizada assembleia, uma aglomeração se fez maior no local. Faixas foram esticadas de um lado ao outro das escadas, e um cemitério simbolizando a morte dos vereadores que votaram o Projeto de Lei 15/2015 foi montado no gramado. O projeto cria 616 cargos para agente comunitário de Saúde, e os profissionais acreditam que irão acumular função de agentes de endemias.

Motoristas de ônibus prometem cruzar os braços hoje

O usuário do transporte público vai precisar de muita paciência e encontrar outra alternativa para se locomover hoje em Campinas. A greve dos trabalhadores do transporte público deve paralisar 3,5 mil funcionários e impedir a saída dos ônibus de todas as linhas do Sistema InterCamp das garagens. Deflagrada na última sexta-feira, a categoria recusou a proposta inicial das empresas de transporte e promete cruzar os braços nesta manhã. A greve não afeta, porém, os motoristas cooperados que atuam no transporte coletivo, como os condutores de micro-ônibus.

De acordo com o presidente do sindicato Matusalém de Lima, a greve foi deflagrada após as empresas apresentarem reajuste salarial de 7,21%, valor abaixo da inflação (8,34%). A categoria reivindica ajuste salarial entre 9% e 10%, comissão de viagem de R$ 300 para R$ 400, melhoria do convênio médico, aumento de 15% no ticket alimentação, aumento de 17% na participação nos lucros, melhoria na cesta básica e prêmio por tempo de serviço (PPS).

Sobre a comissão de viagem (R$ 300), o presidente do sindicato informou que esse benefício foi um acordo entre trabalhadores e empresas, após os motoristas também assumirem a função dos cobradores, eliminados das linhas no início do ano.

“A greve é um instrumento que ninguém quer usar, mas é nosso último recurso. Contamos com a compreensão dos usuários, que são trabalhadores como nós, e sabem o que o motorista passa”, afirmou Matusalém Lima. O presidente informou que a categoria negocia desde abril, mas que até o momento nenhuma proposta agradou os trabalhadores. Esta terça-feira a paralisação em Campinas deverá ter o apoio de sindicalistas de São Paulo, Sorocaba e Jundiaí. “Queremos esses benefícios retroativos a maio. O motorista que trabalha sozinho tem direito à comissão de viagem”, frisou o presidente. Ontem pela manhã, diretoria, delegados sindicais e militantes definiam as estratégias de paralisação.

Pela assessoria de imprensa, a Associação das Empresas em Transporte Coletivo de Campinas (Transurc) informou que o Sindicato das Empresas de Transporte da Região Metropolitano de Campinas (Setcamp) está em negociação permanente com a categoria e que trabalha para impedir a greve. “Ainda é cedo para falar em greve”, disse no começo da tarde de ontem o diretor de Comunicação da Transurc, Paulo Barddal. Entretanto, até às 18h, não havia qualquer rodada de negociação ou proposta apresentada pelo sindicato patronal e a greve ficou mantida para a partir da 0h de hoje.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) irá monitorar o transporte coletivo municipal (Sistema InterCamp) e adotará todas as medidas possíveis para evitar transtornos à população. (Gustavo Abdel/AAN)