Publicado 02 de Junho de 2015 - 5h30

Um drama humanitário vem ganhando espaço na mídia e nas preocupações levadas às mesas de negociação entre as maiores nações do mundo. Fenômeno amplamente conhecido dos países mais ricos, o fluxo de migrantes miseráveis em busca de um local que os receba vem aumentando exponencialmente, causando constrangimentos e cobranças de políticas de migração que possam atender à demanda dessas pessoas fugitivas de dramas, os mais diversos.

Têm sido destaque os casos dos náufragos no Mar Mediterrâneo, africanos que buscam alcançar o continente europeu em busca de abrigo, trabalho ou apenas um recomeço com alguma dignidade, que os resgate da opressão, da miséria, da violência e de guerras intermináveis. São famílias inteiras que se fazem ao mar com a esperança de encontrar um porto seguro que os abrace e lhes ofereça a oportunidade de sobrevivência. Os casos escabrosos narrados dão conta das condições subumanas em que são transportados em barcaças imundas, muitos morrendo ou sendo violentados e executados pelo caminho.

De forma semelhante, o Brasil se defronta com o caso dos haitianos que atravessam a fronteira pelo estado do Acre em busca de uma pátria distante do caos que é seu país. Vêm em grupos mal acomodados em viagem de 20 dias de travessia, vítimas de todo tipo de violência. Estima-se que cerca de 38 mil migrantes entraram no Brasil nos últimos quatro anos, recebidos de forma desorganizada, sem estrutura e sem um padrão de recepção. Nos dois casos, o que se constata é a existência nefasta dos “coiotes”, quadrilhas especializadas em vender o sonho de uma migração para um país receptivo. Os haitianos pagam de US$ 3 mil a 8 mil por pessoa por um serviço ilegal, sem suporte logístico e sem qualquer garantia. A ação dessas quadrilhas movimentou perto de US$ 60 milhões nesse período (Correio Popular, 24/5, A23).7

O mundo em transformação é um entrave para as antigas posições imperialistas que transformaram os países de Terceiro Mundo – e especialmente os africanos – em território de exploração de riquezas naturais e tráfico de mão de obra escrava. Não se trata de simplesmente resgatar a fatura de anos de exploração, mas de despertar o senso humanitário e criar legislação segura que permita a recepção desses migrantes com dignidade, além de programas efetivos, que permitam ao País um fluxo de responsabilidade, além dos atravessadores criminosos que vendem a ilusão de países sem fronteiras, sem regras e sem limites.