Publicado 01 de Junho de 2015 - 5h30

Os servidores públicos municipais de Campinas marcaram para a partir da 0h de hoje o início da greve da categoria e a população deve ficar atenta para a suspensão de atendimento de serviços. Como Prefeitura e os trabalhadores não chegaram a um acordo, os servidores decidiram parar. O sindicato convocou os trabalhadores para uma mobilização a partir das 7h no Paço Municipal e também para assembleia à tarde.

Desde a última semana, os sindicalistas panfletaram nas diferentes repartições, unidades de saúde e escolas. A expectativa é de uma boa adesão. Os principais pontos de entraves na negociação são o índice de reajuste salarial e o valor do vale nutricional dos aposentados.

A diretora de Imprensa do Sindicato dos Servidores, Rosana Medina, afirmou que o índice de 7,13% oferecido pelo governo, baseado no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), é menor do que a inflação do período, que seria de 8,36%. “Não podemos aceitar isso. Queremos que o prefeito participe da mesa de negociações.” Ela disse que “nos serviços essenciais”, como a área da Saúde, serão mantidos os 30% de efetivo, conforme determina a lei.

Em relação ao vale nutricional dos aposentados, o governo oferece 10% de reajuste para quem não está mais na ativa e também no vale-alimentação dos servidores. Para o vale dos aposentados, o acréscimo será de apenas R$ 20,00. “O benefício foi criado para auxiliar os aposentados. Quem sai da ativa recebe uma aposentadoria muito baixa. É inadmissível o que o governo está oferecendo”, disse Rosana.

No último sábado, Jonas afirmou que nos últimos dois anos o governo aplicou um aumento de quase 30% no vale-alimentação. “Desde que assumimos, os servidores sempre tiveram reajuste. Nós estamos abertos ao diálogo.” Ele ressaltou que a Prefeitura passa por um momento difícil, com queda de receitas em decorrência do recuo da economia no País. “O momento é complicado, mas apresentamos propostas concretas. Nos últimos dois anos, contratamos 3.400 concursados, aumento de 20% na força de trabalho.”

Na última semana, o secretário de Relações Institucionais, Wanderley Almeida, havia informado que chegou no limite da negociação e que o caminho deve ser a busca da Justiça para que o conflito seja solucionado

Na Câmara, ato promete ‘beijaço’

O dia de hoje promete ser agitado na Câmara de Campinas. Movimentos sociais e de direitos humanos marcaram, para a hora da audiência pública sobre a emenda à lei orgânica que proíbe a discussão de ideologia de gênero nas escolas da cidade, um “beijaço, purpurinaço e saiaço”. A intenção é protestar contra a proposta e também contra a postura considerada homofóbica de alguns legisladores, na semana passada, durante a discussão do projeto de autoria de Campos Filho (DEM). Os organizadores da manifestação esperam ao menos 600 pessoas. A audiência começa às 15h. A representante do Coletivo Rosa Lilás, uma das entidades que organizam o ato, Carolina Figueiredo, afirmou que o objetivo é debater o tema. “Queremos dar visibilidade à nossa luta de igualdade. A proposta é absurda. Não vamos para o protesto para promover confrontos. Queremos participar do debate.” Ela ressaltou que o fato de a audiência ter sido marcada para o Plenarinho limita a presença de público.

À noite, os vereadores terão dois assuntos importantes na pauta. A sessão prevê a primeira dicussão do projeto que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) para 2016. Também será analisado o projeto de resolução que altera a estrutura do quadro de servidores e prevê que, a partir de 2017, cada gabinete de vereador, que hoje pode dispor de até 15 assessores, poderá ter dez. (AL/AAN)