Publicado 01 de Junho de 2015 - 5h30

O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento das cidades da região que integram a Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), entra no período mais seco do ano com um volume armazenado de 19,6% (somados volumes útil e morto) da sua capacidade. Com as chuvas do fim de semana houve elevação de 0,1 ponto em relação à última semana, quando o nível ficou estável. Apesar do pequeno alívio, o índice está abaixo dos 24,9% do ano passado.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), as chuvas acumuladas na área do Cantareira somaram 74,4 milímetros no mês de maio. O volume é 99% acima dos 37,3mm de maio de 2014. Em Campinas, em 72 horas nos últimos dias choveu um acumulado de 46,7mm, informou o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (Cepagri). No mês, o volume chegou a 51mm. Na Estação de Captação de Água no Rio Atibaia, na altura de Valinhos, a vazão era de 9,55 metros cúbicos por segundo (m3/s) na manhã de ontem. A temperatura mínima foi de 15,1ºC até a manhã de domingo e a máxima atingiu 16ºC. Mas junho já deve começar com sol e temperatura em elevação.

Apesar de o volume armazenado ser menor do que no ano passado, o diretor-técnico da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Marco Antônio dos Santos, afirmou que a situação está mais confortável neste ano para enfrentar o período de estiagem porque a retirada de água do Cantareira para a Grande São Paulo é menor. “No ano passado, tínhamos um pouco mais de água nos reservatórios, mas a Grande São Paulo retirava 31m3/s. Neste ano, a média está em 13,5m3/s.”

Contudo, Santos frisou que o cenário ainda é crítico e a população terá que manter o esforço para que não falte água. “Atualmente, os 2m3/s liberados para a região estão sendo suficientes para atender a demanda de Campinas, visto que também existe economia de água.” Ele observou que a vazão na captação em Valinhos vem se mantendo estável, assim como o volume do Canteira. “Não verificamos mais quedas acentuadas no nível dos reservatórios. Esperamos que a situação permaneça dessa forma no período de estiagem. Todos teremos que fazer esforço para manter um consumo consciente”, salientou.

Na média

O pesquisador do Cepagri, Hilton Silveira, afirmou que, normalmente, o mês de maio é o último com volumes mais significativos de chuvas, antes do período mais seco do ano, que vai de junho a outubro. “É normal as chuvas que caíram nos últimos dias para este período do ano.” Ele apontou que a média histórica para o mês de maio nos últimos 127 anos é de 63mm, para junho de 35mm e julho, de 43mm. O termo crise hídrica, porém, ainda deve rondar as previsões metereológicas. “Ainda não recuperamos os níveis perdidos no ano passado, a preocupação continua”, disse.

O coordenador da Defesa Civil Regional, Sidnei Furtado, comentou que, apesar da recente chuva contínua, não houve registro de ocorrências. “A chuva foi moderada, sem ocorrências em Campinas e região.” (Colaborou Érica Araium/AAN)

SAIBA MAIS

No dia 25 de maio, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) definiram a liberação de água do Sistema Cantareira para a região da Bacia PCJ e a Grande São Paulo no período entre junho e novembro, considerado fase de estiagem, com um aumento de 2m3/s para 3,5m3/s para a região do PCJ. Outra determinação é que a Sabesp terá que reduzir de 13,5m3/s para, no máximo, 10m3/s a retirada de água a partir de setembro para a Grande SP. Os gestores apostam na interligação entre os sistemas Rio Grande/Biilings e do Alto Tietê para diminuir a dependência da Capital do Cantareira. A previsão é que as obras de interligação entrem em operação a partir do dia 1 de setembro.